Creation Science News


Descoberta de moedas antigas deve mudar história do Muro das Lamentações
23/11/2011, 11:17 PM
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Arqueólogos israelenses anunciaram o achado de moedas antigas que podem subverter as crenças largamente mantidas sobre as origens do Muro das Lamentações de Israel, um dos locais mais sagrados para o Judaísmo. O anúncio da descoberta foi feito nesta quarta-feira.

Por séculos, muito do que se pensava sobre o muro era que ele fora construído pelo rei Herodes (que detém má fama, na tradição do Cristianismo, por ser algoz nos esforços de perseguição do bebê Jesus, de acordo com a história original dessa religião).

Mas arqueólogos afirmaram ter encontrado moedas enterradas sob os alicerces do muro, e que foram cunhadas 20 anos depois da morte do rei Herodes, em 4 d.C. –o que demonstra que a estrutura foi completada pelos reinados sucessores.

A descoberta pode significar uma revisão nos guias turísticos para as multidões que visitam a cidade.

Moedas achadas sob o Muro das Lamentações, em Jerusalém, devem mudar história da construção do local

“Cada guia turístico baseado na história de Jerusalém responde ‘Herodes’ quando perguntado sobre quem construiu o muro”, disse a autoridade de antiguidades de Israel, em comunicado.

“Essa partícula da informação arqueológica ilustra o fato de que a construção do muro foi um projeto enorme que levou décadas e que não foi completado durante a vida de Herodes”, disse a autoridade israelense.

A autoridade disse que os historiadores acadêmicos já tinham conhecimento, a partir de fatos narrados pelo historiador judeu Flávio Josefo (37 ou 38 d.C. – 100 d.C), de que o muro fora completado pelo bisneto de Herodes.

Mas esse relato não ajudou a dissipar a história popular de que Herodes concluiu o Muro das Lamentações. As moedas foram a primeira evidência concreta para fazer uma atualização da versão de Flávio Josefo.

Fonte: Folha

Referência:

1. “Old coins force re-think on Jerusalem’s Western Wall” (Reuters, 23 de novembro de 2011)



Psicólogo holandês assume fraudes científicas
11/11/2011, 11:13 PM
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Psicólogo social holandês, Diederik Stapel

Há dois meses, um renomado psicólogo social holandês, Diederik Stapel, foi suspenso da Universidade de Tilburg, Holanda, por incorrer em fraudes científicas. A acusação foi feita por três jovens pesquisadores da mesma instituição de ensino.

Ao ser confrontado com as acusações, Stapel confessou à universidade que alguns de seus artigos continham dados inventados. Além da investigação realizada onde ele trabalhava, duas outras instituições onde ele já trabalhou -a Universidade de Groningen e a de Amsterdã- também abriram processo.

Um relatório conjunto da investigação das três universidades foi publicado no fim de outubro. Nele os investigadores concluem que “algumas dezenas” de artigos publicados em revistas de prestígio, incluindo a “Science”, apresentam dados inventados. Segundo o comitê, 14 das 21 teses de doutorado supervisionadas por ele também são fraudulentas.

Em comunicado público, Stapel assumiu que maquiou dados brutos e falsificou pesquisas várias vezes por muito tempo. Ele pediu desculpas aos seus colegas, diz que “falhou como um cientista” e que tem vergonha de suas ações.

Segundo ele, a constante pressão por produtividade científica o forçou a forjar os dados. Ele pesquisava discriminação e estereótipos. O “senhor dos dados brutos”, segundo o comitê, não deixava colaboradores terem acesso às informações.

Depois de entrevistar seus coautores, a investigação concluiu que ele era o único responsável pela fraude.

Fonte: Folha

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COMENTÁRIO NOSSO:

Por Daniel F. Zordan

É lamentável! Mas não é o único caso. Em 16 anos a má conduta científica triplicou somente nos Estados Unidos.

Ao longo da História, acusações de comportamento antiético levaram cientistas ao banco dos réus. Mas nunca como hoje erros e denúncias de má conduta científica foram tão frequentes.

A verdade é uma só: O sonho de qualquer cientista é poder um dia publicar sua pesquisa nas mais prestigiadas e periódicas revistas científicas, tais como Science, Nature e The Lancet. Publicar um trabalho em alguma dessas revistas rendem os pesquisadores muito prestígio, garantia de trabalho, salário mais altos etc.

Como disse John Maddox, diretor da revista Nature: Quem publica um artigo em Nature não demora a receber ofertas de trabalho e colaboração.”

Há cada vez mais sujeira por baixo dos jalecos brancos: nunca antes os Estados Unidos, grande potência científica mundial e pioneiro na tentativa de coibir fraudes nos laboratórios, teve tantos problemas com desvios de conduta de pesquisadores.

Em 1993, o governo federal dos Estados Unidos, criou uma agência (ORI – Agência para a Integridade em Pesquisa, na sigla em inglês) para apurar casos de suspeitas de fraudes científicas, na ocasião foram relatadas 86 denúncias de desvios [1].

Em um depoimento ao Congresso dos Estados Unidos, Jerome Jacobstein, da Universidade Cornell, afirmou que 25% dos comunicados científicos poderiam estar baseados em dados intencionalmente subtraídos ou manipulados.

Como um reflexo dessa situação, a Academia Nacional de Ciências recebe uma média anual de 1 500 denúncias contra seus sócios por “má conduta”. Um comportamento definido da seguinte forma pela comunidade científica norte-americana:

“Considera-se má conduta a fabricação, falsificação ou plágio na proposta, execução e comunicação das experiências. Excluem-se os erros de julgamento, registro, seleção ou análise dos dados; as divergências de opinião que afetem a interpretação dos resultados e as negligências não relacionadas com o processo de pesquisa”.

Eis a questão: Mas, como determinar onde fica a fronteira entre o erro e a fraude, entre o acidente e a má conduta profissional?

Para Sílvio Salinas, 67, físico da USP, a tentação é maior entre as gerações mais novas. “Hoje em dia, há uma enorme pressão, uma grande disputa por posições”, diz. “Mas os bárbaros não tomaram conta da ciência ainda.”

Em agosto do ano passado, o proeminente pesquisador e biólogo Marc Hauser, também admitiu a má conduta, e foi forçado a renunciar seu cargo na universidade de Harvard, Estados Unidos.

No Brasil, Claudio Airoldi, 68, químico da Unicamp foi acusado de fraudar 11 estudos científicos, é provavelmente a mais séria de má conduta científica registrada no País.

Casos no Brasil envolveram alto escalão da USP, um deles: Foi a demissão do docente Andreimar Soares, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, foi demitido por ser o principal autor da pesquisa, que copiou imagens de trabalhos de 2003 e 2006, sem creditá-las aos autores, da UFRJ (Federal do Rio).

Poderíamos citar inúmeras más condutas científicas que ocorreram ao longo dos anos.

E quando falamos de evolução: Será que houve erros e fraudes? É claro que sim.

Exemplos:  Homem de Pequin, Homem de Nebraska, Archaeoraptor, Embriões do Haeckel, Fósseis de Neandertais por Von Zieten, Orgãos vestigiais, Junk DNA etc.



COMPLEXIDADE DA VIDA: Rena usa três métodos para manter temperatura corporal estável
11/11/2011, 7:03 PM
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Pesquisadores descobriram que a rena do Ártico, que possui uma pelagem que a ajuda a sobreviver a invernos rigorosos, recorre a uma combinação estratégica para manter estável a temperatura corporal quando se aquece ao correr.

O biólogo Arnoldus Blix, da Universidade de Tromso, na Noruega, e seus colegas descrevem suas descobertas no “The Journal of Experimental Biology”.

“Você veste mais roupas no inverno. Se correr e se aquecer, abre o casaco e tira o chapéu”, diz Blix. “As renas não podem fazer isso. Assim, observamos os mecanismos para saber como elas gerenciam a temperatura corporal.”

Para conduzir o estudo, Blix e equipe treinaram renas para correr em uma esteira a diferentes temperaturas, de 10 a 30 graus Celsius, e registraram as respostas dos animais.

Eles descobriram que a rena começa a se refrescar ofegando com a boca fechada e inalando ar frio pelo nariz. Isso resfria o sangue dentro das passagens nasais, e esse sangue mais frio acaba sendo distribuído pelo corpo pela veia jugular.

Quando esse mecanismo não é suficiente, a rena também ofega com a boca aberta e coloca a língua para fora, como fazem os cachorros. Isso resfria o sangue de forma mais eficiente e também permite que o animal perca calor através da boca, pela evaporação.

Em situações críticas, quando o corpo está se aquecendo a uma temperatura perigosamente alta, a rena recorre ao último mecanismo de defesa, desviando o sangue frio do nariz para a cabeça, protegendo o cérebro do superaquecimento.

Fonte: Folha

Referência:

1. Arnoldus Schytte Blix, Lars Walløe and Lars P. Folkow “Regulation of brain temperature in winter-acclimatized reindeer under heat stress” (The Journal of Experimental Biology, 2011 Nov 15,  214 (Pt 22) : 3850-3856, DOI: 10.1242/jeb.057455)



Estudo faz o mais completo mapeamento da extinção na Era do Gelo
11/11/2011, 6:52 PM
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Imagem: Folha on line

A mensagem do estudo mais completo já feito sobre o sumiço da megafauna, conjunto de grandes mamíferos da Era do Gelo, é que essa extinção em massa não foi tão “em massa” quanto parece.

As causas do desaparecimento variam de espécie para espécie e envolvem mudanças climáticas, o interesse de caçadores humanos na carne dos bichos e, no caso mais famoso, o dos mamutes, fatores ainda incertos.

É o que conclui a equipe liderada por Eske Willerslev, da Universidade de Copenhague, em artigo na revista “Nature”, após analisar dados de seis espécies: rinocerontes-lanosos, mamutes-lanosos, cavalos-selvagens, renas, bisões-das-estepes e bois-almiscarados.

Entre esses bichos, renas e bois-almiscarados ainda estão por aí, mas com sua distribuição geográfica drasticamente reduzida –na Era do Gelo, havia renas até na França. Europa e Ásia tinham bois-almiscarados, hoje reduzidos ao Ártico americano.

Willerslev e companhia são especialistas em DNA antigo –dominam técnicas de extração e análise de material genético a partir de ossos com milhares de anos. A equipe analisou mais de 800 amostras de DNA dos bichos e as datou com precisão.

Os cientistas montaram uma espécie de filme sobre como variou a genética das populações da megafauna ao longo de milhares de anos –de 40 mil anos até 10 mil anos antes do presente.

Os dados genéticos permitem acompanhar o comportamento da população de animais ao longo dos séculos.

O retrato traçado pela pesquisa envolve mais duas fontes. A primeira é o mapa dos habitats de cada espécie ao longo dos milênios, levando em conta variações do clima e da vegetação (as espécies eram herbívoras).

Com isso, dá para saber se o habitat de um animal encolheu tanto que poderia ter levado o coitado à extinção.

A segunda fonte é a presença de caçadores humanos, denotada por sítios arqueológicos que coexistiram com a megafauna.

Com isso em mãos, vieram algumas surpresas. Nos 10 mil anos após o primeiro contato com humanos, as populações de rinocerontes e mamutes cresceram, o que derruba a hipótese da caça intensa. Já os bois-almiscarados quase não eram caçados.

Há indícios claros de contribuição humana para a extinção apenas de renas, bisões e cavalos. Mesmo assim, a mudança climática também seria importante.

O trabalho não aborda a extinção na América do Sul. O Brasil tinha cavalos selvagens, lhamas, mastodontes e preguiças-gigantes.

Fonte: Folha

Referência:

1. Eline D. Lorenzen, David Nogués-Bravo, Ludovic Orlando, Jaco Weinstock, Jonas Binladen, Katharine A. Marske, Andrew Ugan, Michael K. Borregaard, M. Thomas P. Gilbert, Rasmus Nielsen, Simon Y. W. Ho, Ted Goebel, Kelly E. Graf, David Byers, Jesper T. Stenderup, Morten Rasmussen, Paula F. Campos, Jennifer A. Leonard, Klaus-Peter Koepfli, Duane Froese, Grant Zazula, Thomas W. Stafford, Kim Aaris-Sørensen, Persaram Batra, Alan M. Haywood, Joy S. Singarayer, Paul J. Valdes, Gennady Boeskorov, James A. Burns, Sergey P. Davydov, James Haile, Dennis L. Jenkins, Pavel Kosintsev, Tatyana Kuznetsova, Xulong Lai, Larry D. Martin, H. Gregory McDonald, Dick Mol, Morten Meldgaard, Kasper Munch, Elisabeth Stephan, Mikhail Sablin, Robert S. Sommer, Taras Sipko, Eric Scott, Marc A. Suchard, Alexei Tikhonov, Rane Willerslev, Robert K. Wayne, Alan Cooper, Michael Hofreiter, Andrei Sher, Beth Shapiro, Carsten Rahbek, Eske Willerslev “Species-specific responses of Late Quaternary megafauna to climate and humans” (Nature, Published online 02 November 2011; DOI: 10.1038/nature10574)



‘Homo sapiens’ chegou à Europa antes do que cientistas pensavam
03/11/2011, 2:03 AM
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Estudos independentes mostram evidências da ocupação europeia. Homem moderno teria convivido com neandertal há mais de 40 mil anos.

Da esqueda para a direita, réplicas de crânio de neandertal de 38 mil anos, do osso de mandíbula estudado pela equipe britânica e de crânio de 'Homo sapiens' de 35 mil anos (Foto: Natural History Museum )

[Entre colchetes: Comentário de Daniel F. Zordan] Dois estudos independentes divulgados nesta quarta-feira (2) indicam que o homem moderno (Homo sapiens) teria chegado à Europa alguns milênios antes do que os cientistas imaginavam. Os dois trabalhos são reanálises de fósseis encontrados na Itália e no Reino Unido.

Os ossos italianos – na verdade, dois dentes — foram descobertos em uma caverna em 1964. As primeiras análises indicavam que eles eram de neandertais, que são considerados uma espécie separada do Homo sapiens. Agora, no entanto, uma equipe de antropólogos da Universidade de Viena afirma que eles são mesmo ossos de homens modernos. [Ah, estava demorando a acontecer tais confusões. Neandertais e Homo Sapiens são tão humanos (idênticos) que nem se podem notar as diferenças. Se é que existem diferenças.]

Análises feitas por um laboratório apontam que os fósseis têm entre 43 mil e 45 mil anos. Os cientistas até agora só tinham encontrado provas diretas da presença de H. sapiens no continente com idades entre 39 mil e 41 mil anos. [Não vai demorar muito para cair as datações.]

Acima, osso de mandíbula do Reino Unido. Abaixo, dente encontrado em caverna na Itália (Foto: Chris Collins (Natural History Museum, London) and Torquay Museum / Stefano Benazzi.)

O outro estudo foi feito a partir de um fóssil de mandíbula de um exemplar de Homo sapiens, encontrado em Torquay, no Reino Unido, em 1927. Os primeiros estudos do material diziam que ele tinha cerca de 35 mil anos. Mas uma técnica mais avançada mostra que eles têm, na verdade, de 41 mil a 44 mil anos. [A diferença é de apenas de 6 a 9 mil anos. Nada que os naturalistas não deixem passar despercebidos.]

Os dois exemplares seriam, portanto, as evidências mais antigas da presença de homens modernos no continente europeu. Com isso, o período de coexistência entre o Homo sapiens e os neandertais também passa a ser bem maior do que se pensava. [“Grifo Nosso”]

Os resultados dos dois grupos foram apresentados na revista Nature.

Fonte: G1

Referência:

1. Stefano Benazzi, Katerina Douka, Cinzia Fornai, Catherine C. Bauer, Ottmar Kullmer, Jirˇí Svoboda, Ildikó Pap, Francesco Mallegni, Priscilla Bayle, Michael Coquerelle, Silvana Condemi, Annamaria Ronchitelli, Katerina Harvati & Gerhard W. Weber “Early dispersal of modern humans in Europe and implications for Neanderthal behaviour” (Nature, Published online 02 November 2011, DOI: doi:10.1038/nature10617)



Explosão de raios gama desafia teoria da formação de galáxias
03/11/2011, 1:39 AM
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O brilho à esquerda é uma explosão de raios gama. Conforme a luz da explosão passa através das duas galáxias, a caminho da Terra, algumas cores são absorvidas pelo gás frio nas galáxias, deixando linhas escuras no espectro. Estudando cuidadosamente estes espectros os astrônomos descobriram que as duas galáxias são incrivelmente ricas em elementos químicos pesados, desafiando as teorias aceitas até agora.

Flash do Universo primordial

Uma equipe internacional de astrônomos utilizou a breve mas brilhante luz de uma explosão de raios gama para estudar a composição de galáxias muito distantes.

Surpreendentemente, as novas observações obtidas com o Very Large Telescope do ESO revelaram duas galáxias no Universo primordial mais ricas em elementos pesados que o Sol.

As duas galáxias podem encontrar-se em processo de fusão. Tais processos no Universo primitivo originam a formação de muitas estrelas novas, podendo dar origem a explosões de raios gama.

As explosões de raios gama são as explosões mais brilhantes do Universo.

Uma destas explosões, chamada GRB 090323 (o número se refere à data da descoberta, 23 de Março de 2009), foi inicialmente detectada pelo Telescópio Espacial Fermi Gamma-ray da NASA.

Esta explosão foi estudada detalhadamente pelo Very Large Telescope (VLT) do ESO, apenas um dia depois da explosão inicial.

As observações obtidas com o VLT mostram que a luz brilhante emitida pela explosão de raios gama passou através da própria galáxia hospedeira e também de outra galáxia próxima.

Estas galáxias estão sendo observadas tal como eram há 12 bilhões de anos atrás. Galáxias tão distantes estão raramente envolvidas neste tipo de fenômenos.

Enriquecimento químico

“Quando estudamos a radiação emitida por esta explosão de raios gama não sabíamos o que iríamos encontrar. Foi surpreendente descobrir que o gás frio existente nestas duas galáxias do Universo primitivo tem uma composição química tão inesperada,” explica Sandra Savaglio, do Instituto Max-Planck para a Física Extraterrestre.

“Estas galáxias têm mais elementos pesados do que o observado em qualquer galáxia do Universo primordial. Não esperávamos que o Universo estivesse tão cedo já tão evoluído em termos químicos,” completa. [“Grifo Nosso”]

Quando a radiação da explosão de raios gama passou através das galáxias, o gás aí contido atuou como um filtro e absorveu parte desta radiação em certos comprimentos de onda. Sem a explosão de raios gama estas galáxias tênues seriam completamente invisíveis.

Ao analisar cuidadosamente as impressões digitais dos diferentes elementos químicos, a equipe conseguiu determinar a composição do gás frio destas galáxias muito distantes e em particular descobriu o seu rico conteúdo em elementos pesados.

É de se esperar que as galáxias no Universo primitivo tenham menor quantidade de elementos pesados do que as galáxias no Universo atual, tais como a Via Láctea. [“Grifo Nosso”] Os elementos pesados são produzidos ao longo da vida e morte de várias gerações de estrelas, que gradualmente vão enriquecendo o gás das galáxias.

A matéria produzida pelo Big Bang, há 13,7 bilhões de anos, era quase toda hidrogênio e hélio. Os elementos mais pesados, tais como oxigênio, nitrogênio e carbono, foram posteriormente produzidos por reações termonucleares no interior das estrelas e lançados de volta às reservas de gás existentes na galáxia na altura da morte das estrelas. Por isso, espera-se que a quantidade de elementos pesados na maioria das galáxias aumente gradualmente à medida que o Universo envelhece.

Os astrônomos utilizam o enriquecimento químico das galáxias para determinar em que período das suas vidas estas se encontram.

Enriquecimento das teorias

No entanto, e surpreendentemente, estas novas observações revelaram que algumas galáxias são já muito ricas em elementos pesados numa altura correspondente a menos de dois bilhões de anos depois do Big Bang, algo inimaginável até agora. [“Grifo Nosso”]

O par de galáxias jovens descoberto deve estar formando estrelas a uma taxa extremamente elevada, de modo a poder enriquecer tanto e tão depressa o gás frio. Uma vez que as duas galáxias estão tão próximas uma da outra, é possível que se encontrem em processo de fusão, o que dará origem a formação estelar quando as nuvens de gás colidem entre si.

Os novos resultados apoiam também a ideia de que as explosões de raios gama podem estar associadas a formação estelar intensa.

Uma formação estelar tão violenta como esta pode ter cessado muito cedo na história do Universo. Doze bilhões de anos mais tarde, ou seja, agora, os restos de tais galáxias conteriam um grande número de restos estelares tais como buracos negros e anãs brancas frias, formando uma população de “galáxias mortas” difíceis de detectar, apenas sombras tênues de como teriam sido nas suas juventudes brilhantes. Encontrar tais cadáveres atualmente seria um grande desafio.

“Tivemos muita sorte em observar a GRB 090323 quando ainda estava suficientemente brilhante, de tal modo que foi possível obter observações muito detalhadas com o VLT. As explosões de raios gama permanecem brilhantes apenas por curtos espaços de tempo, por isso conseguir dados de boa qualidade é muito difícil. Esperamos poder observar novamente estas galáxias num futuro não muito longínquo, quando tivermos disponíveis instrumentos mais sensíveis. Estes objetos seriam um alvo ideal para o E-ELT,” conclui Savaglio.

Tipos de explosões de raios gama

As explosões de raios gama que duram mais de dois segundos são chamadas de longa duração e as que duram menos são as de curta duração.

As explosões de longa duração, incluindo a deste estudo, estão associadas a explosões de supernova de estrelas jovens de grande massa presentes em galáxias com formação estelar.

As explosões de curta duração não são ainda bem compreendidas, mas acredita-se que elas tenham origem na fusão de dois objetos compactos tais como estrelas de nêutrons.

Essas explosões são inicialmente observadas por observatórios que se encontram em órbita terrestre, que detectam a curta explosão inicial de raios gama. Depois de localizadas as suas posições, elas são imediatamente estudadas utilizando telescópios de grandes dimensões instalados no solo, que detectam a radiação visível e infravermelha remanescente emitida ainda nas horas e dias que se seguem à explosão inicial.

Fonte: Inovação Tecnológica

Referêcnias:

1. “VLT Observations of Gamma-ray Burst Reveal Surprising Ingredients of Early Galaxies” (ESO – Europen Southern Observatory, 2 November 2011)



Dinossauros migravam por longas distâncias atrás de comida, diz estudo
03/11/2011, 1:15 AM
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Cientistas analisaram fósseis de dentes de dinossauros herbívoros. Pesquisa foi publicada pela revista Nature.

Os dinossauros faziam travessias há 150 milhões de anos percorrendo, como fazem as ovelhas, longas distâncias para pastar em terras altas durante a estação seca, revelou um estudo publicado esta quarta-feira (26).

Os saurópodes, dinossauros herbívoros de pescoço comprido e grandes dimensões, como o icônico diplodoco, foram os maiores vertebrados a habitar a Terra.

Visto que estes répteis extintos mediam entre 10 e 20 metros e viviam em grupos, suas necessidades alimentares, regidas em função de sua enorme massa, os tornavam particularmente vulneráveis à seca.

Evidências fósseis encontradas na Formação Morrison, uma área geológica que data do Jurássico, situada no oeste dos Estados Unidos (de Montana ao Arizona e de Utah ao Colorado), indicam que ali saurópodes de todos os tipos eram abundantes.

No entanto, estas planícies aluviais sofriam secas sazonais entre 156 milhões e 144 milhões de anos atrás, razão pela qual estes grupos de répteis devem ter desenvolvido algum mecanismo para sobreviver em condições tão adversas.

Segundo geólogos da Universidade do Colorado, os répteis provavelmente se comportavam como os rebanhos de ovelhas, avançando em pastos vizinhos para ter acesso a fontes de água e alimento frescos.

Para confirmar esta teoria, que já tinha sido proposta por paleontólogos, Henry Fricke e sua equipe compararam a composição química do esmalte dos dentes do camarassauro, um tipo de dinossauro saurópode, com a de sedimentos diversos (solos, lagos e áreas pantanosas) da região e das colinas vizinhas.

Análises do oxigênio 18, uma variação atômica do oxigênio, nos dentes de um camarassauro, revelou que o animal consumiu durante toda a vida água das regiões altas situadas a oeste do local onde seu fóssil foi encontrado.

“As populações de camarassauros da região devem ter ocupado as áreas mais elevadas pelo menos durante uma parte do ano, antes de voltar às bacias fluviais onde morreram”, concluíram os autores do estudo, publicado na revista britânica Nature.

“Para fazê-lo, estes animais tiveram que percorrer uma distância de cerca de 300 km, se nos basearmos nas formações paleográficas do Jurássico Superior”, explicaram os especialistas.

Os cientistas avançaram em sua análise e estudaram a composição interna de um dente do saurópode.

Como acontece com todos os vertebrados, os dentes dos dinossauros são formados por camadas sucessivas e a análise química de um corte da peça permite identificar as diferentes concentrações de oxigênio 18 ingerido ao longo do tempo.

O resultado demonstra que o camarassauro, que tinha 18 metros de comprimento e pesava 20 toneladas, fazia viagens de ida e volta entre a planície fluvial e os pastos do entorno em um perído de cinco a seis meses, o que constitui uma travessia sazonal.

“Partindo do princípio de que os camarassauros migravam para obter alimento e água necessários para sobreviver, provavelmente deixavam a planície durante a estação seca (semelhante ao verão), onde a vegetação cresce pouco e as secas podem ser frequentes, para voltar na estação úmida (análoga ao inverno)”, afirmam os cientistas.

Outros estudos feitos sobre os camarassauros e com outras populações de saurópodes continuam em curso para determinar se a migração foi algo disseminado neste tipo de animais e se pode ter desempenho um papel em seu gigantismo.

Fonte: G1

Referência:

1. Henry C. Fricke, Justin Hencecroth & Marie E. Hoerner “Lowland–upland migration of sauropod dinosaurs during the Late Jurassic epoch” (Nature, Published online 26 October 2011, doi:10.1038/nature10570)