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Avanço de ‘Homo sapiens’ na Europa Central expulsou Neandertais
28/07/2012, 8:25 PM
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Erupção vulcânica apontada como uma das causas da extinção desses hominídeos ocorreu muito após o desaparecimento deles da Europa Central

Pesquisadores retiraram amostras de cinzas vulcânicas em cavernas habitadas por neandertais, na imagem, reprodução de família Neandertal em exposição de museu croata (Nikola Solic/Reuters)

O desaparecimento dos Neandertais há cerca de 30 mil anos é tema de constante debate entre os arqueólogos de todo o mundo. As opiniões divergem entre as mudanças climáticas causadas por uma grande erupção vulcânica, a competição com os Homo sapiens, ancestrais do homem moderno, e a combinação desses dois fatores.

Um estudo publicado no periódico científico PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences) desta semana reforça a tese de que os Neandertais, primos do homem moderno, desapareceram por influência da competição com o Homo Sapiens – ao menos na Europa Central. Esses ancestrais do homem moderno entraram no continente pela África, e possivelmente, pelo Oriente Médio, em uma ocupação que levou milhares de anos para ser concluída.

Um time de 40 pesquisadores da Europa, liderados pelo geógrafo John Lowe, da Universidade Royal Holloway, na Inglaterra, focou esforços na análise microscópica das cinzas vulcânicas que assolaram a Europa em uma erupção há 40 mil anos. Se as cinzas vulcânicas mostrassem que os Neandertais viviam na Europa Central quando houve a erupção, então a teoria sobre a influência deste fator na extinção ganharia força.

Mas se, ao contrário, as cinzas demonstrassem que não havia mais vestígios de Neandertal naquela região na época da catástrofe, então a tese da competição com o Homo sapiens seria reforçada, porque indicaria que os Neandertais já teriam batido em retirada muito antes de as cinzas dominarem a atmosfera da Europa, derrubando a temperatura em 2ºC por três anos.

Os resultados das análises mostraram que os Neandertais não habitavam a Europa Central quando houve a grande erupção vulcânica, prevalecendo a versão — nada amistosa — da competição com os Homo sapiens.

A tese reforça outra já divulgada no ano passado por cientistas da Universidade de Cambridge, da Inglaterra. Eles divulgaram na revista Science uma pesquisa que mostrava que a competição entre Homo sapiens e Neandertais teve impacto na extinção deste último no Leste Europeu. Agora a tese ganha reforço.

Cinzas vulcânicas – Os pesquisadores coletaram amostras microscópicas de cinzas vulcânicas em quatro cavernas da Europa Central, onde ferramentas de pedra e outros artefatos típicos de Neandertais e de Homo sapiens foram encontrados.

Eles também reuniram partículas de cinzas de um local da Líbia e de pântanos e mares da Grécia e do Mar Egeu.

Os resultados são incompatíveis com a hipótese de que a cinza foi responsável pela extinção dos Neandertais, ao menos na Europa Central. Os vestígios de ocupação daquela área pelos Neandertais começaram a diminuir muito antes da erupção e das mudanças climáticas extremas. Isso sugere que os Homo sapiens já tinham se estabelecido naquela área quando ocorreu a erupção.

Refúgio Ibérico – No entanto, os autores afirmam que a pesquisa diz respeito apenas à Europa Central e, provavelmente, ao Leste Europeu. Eles descartam que a conclusão possa ser estendida ao Oeste da Europa, já que os dados daquele local não foram analisados.

Alguns pesquisadores garantem que os Neandertais se mantiveram na região onde hoje fica Portugal e a Espanha há até 35 mil anos. “Não podemos descartar que os Neandertais sobreviveram em refúgios como na península Ibérica”, disse Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres e co-autor da pesquisa.

Veja

Referência:

1. Lowe, J., Barton, N., Blockley, S., Bronk Ramsey, C., Cullen, V.L., Davies, William, Gamble, Clive, Grant, K., Hardiman, M., Housley, R., Lane, C.S., Lee, S, Lewis, M., MacLeod, A., Menzies, M.A., Mueller, W., Pollard, M., Price, C., Roberts, A.P., Rohling, E.J., Satow, C., Smith, V.C., Stringer, C., Tomlinson, E.L., White, D., Albert, P.G., Arienzo, I., Barker, G., Boric, D., Carendente, A., Civetta, L., Ferrier, C., Guadelli, J.-L., Karkanas, P., Koumouzelis, M., Mueller, U.C., Orsi, G., Pross, J., Rosi, M., Shalamanov-Korobar, L., Sirakov, N. and Tzedakis, P.C. (2012) “Volcanic ash layers illuminate the resilience of Neanderthals and early Modern Humans to natural hazards” (Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS, July 2012)



Novo gênero de peixe tem nome em homenagem a defensor do ateísmo
21/07/2012, 11:05 PM
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Gênero ‘Dawkinsia’ tem nove espécies diferentes. Pesquisador deu nome de Richard Dawkins, autor de ‘Deus, um delírio’.

Peixe de uma das nove espécies do novo gênero Dawkinsia. (Foto: AFP)

Um novo gênero de peixe identificado no Sri Lanka recebeu nome em homenagem a Richard Dawkins, biólogo e famoso divulgador do ateísmo, autor do livro “Deus, um delírio”, entre outros.

O gênero Dawkinsia tem nove espécies encontradas apenas no sul da Ásia. Sua principal característica comum são os filamentos que saem da barbatana dorsal dos machos. Esses filamentos servem para atrair as fêmeas, mas têm a desvantagem de chamar a atenção dos predadores também.

Richard Dawkins

Os peixes já eram conhecidos, mas antes estavam classificados no gênero Puntiusjunto com outra centena de animais. Os pesquisadores liderados pelo ictiólogo Rohan Pethiyagoda concluíram que as espécies pertencentes ao novo gênero têm diferenças em relação a seus outros integrantes “muito maiores do que antes se suspeitava”.

Foi por isso que Pethiyagoda e seus colegas resolveram homenagear o britânico Dawkins: “Ele, por meio de seus escritos, nos ajudou a entender que o universo é muito mais admirável que qualquer religião imaginou”, disse.

“Esperamos que [o gênero] Dawkinsia sirva para lembrar da elegância e simplicidade da evolução, a única explicação racional que existe para a inimaginável diversidade da vida na Terra”, acrescentou, em entrevista à agência AFP.

*Com informações da AFP

G1

Referência:

1. Rohan Pethiyagoda, Madhava Meegaskumbura and Kalana Maduwage “A synopsis of the South Asian fishes referred to Puntius (Pisces: Cyprinidae)” (Ichthyological Exploration of Freshwaters, Vol. 23, No. 1, pp. 69-95, 11 figs., 4 tabs., June 2012) (Em PDF)

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COMENTÁRIO NOSSO:

Por Daniel F. Zordan

Através dos livros de Dawkins é que conseguiram entender e admirar o universo? Não acredito que essa afirmação tenha fundamento do ponto de vista científico. Dawkins não é, e nunca será, referência de pesquisas na ciência – a não ser, é claro, pelas suas obras ilusórias ateístas. Isso não passa de uma simples demagogia com um ateu de grande repercussão na mídia. Se a intenção dos pesquisadores era estar na mídia, conseguiram.

Dawkins não é pesquisador; não é Nobel; não fez nenhuma descoberta científica; seus livros apenas tentam mostrar, de forma ilusória, a não existência de Deus – tentando assim inserir sua fé naturalista como fonte racional e lógica, mesmo sabendo que a TE (Teoria da Evolução) carece de provas científicas.

Não podemos afirmar que não houve “macroevolução”, mas apenas que, até o momento, há muitas lacunas para serem preenchidas, assim como, muitas perguntas a serem respondidas.

Para desenvolver uma teoria se faz necessário uma pré-concepção daquilo que será investigado. Não há como entrar em um laboratório sem que a filosofia, crença, não entre consigo também. A filosofia e a crença sempre estiveram, e sempre estará além da ciência, porque onde a ciência para, a fé continua.

Nunca na história houve tanta ligação entre religião e ciência quanto nos dias de hoje. A Bíblia não é um livro de ciência, porém nos dá pontos de partida para que possamos compreender a ciência, exemplo: Deus criou os céus e a terra; o sol e lua; mares; animais; o homem etc. – não nos diz como de fato os fez, apenas diz que fez. Porém, cabe agora à ciência dizer como. Não há contradição entre Fé e Razão – unidas nos impulsionam para a verdade absoluta.

Como disse Albert Einstein “A ciência sem a religião é manca; a religião sem a ciência é cega”.



Cientistas captam a mais nítida imagem de um buraco negro
21/07/2012, 5:46 PM
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Astrônomos conectaram três radiotelescópios ao redor do mundo para formar imagem dois milhões de vezes mais nítida que a visão humana. Astro registrado é o coração de uma galáxia a cinco bilhões de anos-luz

Concepção artística do quasar brilhante 3C 279 (Divulgação/ESO)

Cientistas registraram a imagem mais nítida do coração de um quasar, uma galáxia muito brilhante com o núcleo na forma de um buraco negro. Os astrônomos conectaram três radiotelescópios, um no Chile e dois nos Estados Unidos, criando um sistema de observação dois milhões de vezes mais nítido que a visão humana. Resultado: o registro direto mais detalhado de um buraco negro supermassivo dentro de uma galáxia a cinco bilhões de anos-luz da Terra.

Os radiotelescópios revelaram o coração do quasar 3C 279, uma galáxia na constelação de Virgem. O buraco negro presente em seu núcleo tem uma massa um bilhão de vezes superior a do Sol. A resolução obtida é tão precisa que permite a observação de nuances em escalas menores que um ano-luz.

As observações representam um passo importante no sentido de obter imagens de buracos negros de grande massa e das regiões que os rodeiam. No futuro, os astrônomos querem ligar entre si ainda mais telescópios, de modo a criar o chamado ‘Telescópio de Horizonte de Eventos’.

O Telescópio de Horizonte de Eventos será capaz de obter imagens da sombra do buraco negro que se encontra no centro da Via Láctea, assim como de outros em galáxias próximas. A sombra – uma região escura vista em contraste contra um fundo mais brilhante – é causada pela curvatura da luz devido ao buraco negro e seria a primeira evidência direta da existência do horizonte de eventos de um buraco negro, a fronteira a partir da qual nem mesmo a luz consegue escapar.

Veja a concepção artística do buraco negro que existe no coração do quasar 3C 279:

Técnica – As imagens foram geradas a partir de uma técnica chamada interferometria, que permite que vários telescópios distantes trabalhem em conjunto como se fossem um só. Quanto mais distantes, maior é a definição desse telescópio gigante criado a partir de outros.

Telescópios no Chile, Hawaii e Arizona atingem uma precisão dois milhões de vezes melhor que a da visão humana

Para as observações do quasar, é como se os cientistas tivessem construído um gigantesco radiotelescópio triangular, com vértices no Havaí, Arizona e Chile. As distâncias intercontinentais são de 9.447 quilômetros do Chile ao Havaí, 7.174 quilômetros do Chile ao Arizona e 4.627 quilômetros do Arizona ao Havaí.

Veja

Referências:

1. “Telescopes in Chile, Hawaii, and Arizona reach sharpness two million times finer than human vision” (European Southern Observatory – ESO, 18 July 2012)

2. “By Linking Telescopes, Astronomers Make the Sharpest-Ever Observation of a Distant Object” (POPSCI, 18 July 2012)

 



Neandertais conheciam propriedades medicinais das plantas, diz estudo
21/07/2012, 5:07 PM
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Pesquisadores na caverna El Sidrón, na Espanha

Um grupo internacional de pesquisadores demonstrou que os neandertais que viviam no sítio arqueológico de El Sídron, na Espanha, conheciam as propriedades medicinais e nutricionais de algumas plantas, como a camomila, e incluíam vegetais em sua dieta.

A pesquisa, que contou com a participação de especialistas do Conselho Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, da Universidade Autônoma de Barcelona (UAB) e da Universidade de York (Reino Unido), chegou a estas conclusões a partir da análise do tártaro presente nos dentes de cinco indivíduos adultos e de um jovem da espécie. Até pouco tempo atrás, pensava-se que os neandertais, que foram extintos há cerca de 30 mil e 24 mil anos, eram predominantemente carnívoros.

No entanto, cada vez mais estudos, como este publicado na revista alemã Naturwissenschaften, mostram que a espécie também se alimentava de vegetais, sobretudo em latitudes mais ao sul, disse Antonio Rosas, diretor do grupo de paleoantropologia do Museu Nacional de Ciências Naturais e um dos autores do trabalho. “Está se observando que sobretudo em latitudes mais ao sul da Europa, como em El Sidrón, os neandertais tinham um componente vegetal nada desdenhável em sua dieta”, explicou.

Os pesquisadores encontraram nos dentes da espécie moléculas de amido, presentes em tubérculos, legumes e frutas secas. O tártaro cresce nos dentes por uma superposição de camadas e entre elas ficam armazenadas moléculas e compostos químicos.

Além disso, o estudo constatou que pelo menos um dos indivíduos analisados tinha ingerido plantas de sabor amargo, concretamente aquiléa e camomila, disse em uma nota de imprensa Stephen Buckley, do centro BioArCh, da Universidade de York. “O fato de usarem este tipo de planta com pouco valor nutritivo é surpreendente. Nós sabemos que os neandertais as usavam amargas, portanto provavelmente a espécie selecionava as plantas por razões que vão além de seu sabor”, afirmou Buckley.

Antonio Rosas compartilha da opinião e disse que a partir da descoberta de compostos químicos derivados da camomila se conclui que a espécie sabia de suas propriedades medicinais. Karen Hardy, da UAB, ressaltou que “a variedade de plantas que identificamos sugere que os indivíduos neandertais que viveram em El Sidrón tinham um conhecimento sofisticado do meio natural, que incluía a habilidade para selecionar e usar certas plantas por seu valor nutricional e curativo”. “A carne era claramente primordial, mas nossa pesquisa evidencia uma alimentação bastante mais complexa do que sabíamos até agora”, explicou Karen.

A presença de componentes vegetais na dieta da espécie não é a única descoberta do trabalho. Segundo Rosas, foram encontradas evidências de fumaça no tártaro, provenientes, ao que tudo indica, de alimentos feitos à lenha. O sítio arqueológico de El Sidrón, descoberto em 1994, possui a maior coleção de neandertais da Península Ibérica.

Terra

Referência:

1. Karen Hardy, Stephen Buckley, Matthew J. Collins, Almudena Estalrrich, Don Brothwell, Les Copeland, Antonio García-Tabernero, Samuel García-Vargas, Marco Rasilla, Carles Lalueza-Fox, Rosa Huguet, Markus Bastir, David Santamaría, Marco Madella, Julie Wilson, Ángel Fernández Cortés, Antonio Rosas “Neanderthal medics? Evidence for food, cooking, and medicinal plants entrapped in dental calculus” (Naturwissenschaften, 2012; DOI: 10.1007/s00114-012-0942-0)



Fóssil de peixe ‘europeu’ é encontrado no interior da Bahia
21/07/2012, 4:43 PM
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Peixe viveu há 120 milhões de anos, quando continentes se separavam. Espécie recebeu nome em homenagem ao candomblé.

Fóssil bruto (acima); num molde de látex (centro); e desneho com detalhes anatômicos (abaixo) (Foto: Cesar Amaral)

Pesquisadores brasileiros encontraram no interior da Bahia fósseis de um tipo de peixe pré-histórico nativo da Europa, que nunca tinha sido encontrado na América do Sul. A espécie inédita foi descrita em um estudo publicado em maio pela revista científica “PLoS One”.

Esse animal já extinto viveu há cerca de 120 milhões de anos, quando os dinossauros dominavam a Terra e a geografia do planeta era completamente diferente. A Pangeia, continente único que existiu até 200 milhões de anos atrás, já tinha se dividido em norte e sul, e a América e a África estavam em processo de separação.

Nesse tempo, onde hoje fica o sertão da Bahia, havia um lago salgado, uma faixa de mar que entrava para o continente. Foi no município de Tucano, a 270 km de Salvador, que o fóssil desse peixe foi encontrado.

O fóssil já havia sido coletado na década de 1960 e mencionado em trabalhos mais antigo, mas ninguém tinha descrito a nova espécie em uma revista científica ainda – a publicação de um trabalho como esse é necessária para que a existência de uma espécie seja aceita.

Cesar Amaral, paleontólogo ligado à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), analisou o material e logo percebeu que esse peixe era diferente de outros encontrados na região.

“Quando eu o vi, reconheci características dos grupos da Europa”, contou Amaral. A principal diferença identificada em relação aos peixes mais típicos da América do Sul foi no formato de um osso chamado “pré-opérculo”, que fica na cabeça do animal. “É a primeira evidência clara de intercâmbio entre a Espanha e essa região do Brasil”, apontou.

O paleontólogo explicou que quando os continentes se dividiram, surgiu entre eles um mar conhecido como Mar de Tétis – um antecessor do Oceano Atlântico, de certa forma. Por esse mar, várias espécies de animais se espalharam pela Terra.

Isso que possibilitou que a espécie abundante na Europa chegasse também ao que hoje é a Bahia. Há outros registros que dão indícios desse processo, na Argentina, por exemplo. No Nordeste brasileiro, no entanto, a descoberta é inédita.

Candomblé
A espécie recebeu o nome científico de Nanaichthys longipinnus. É uma homenagem à orixá Nàná Burukù e ao candomblé, como uma referência à religiosidade baiana – “ichthys” significa peixe em grego. A segunda parte do nome, “longipinnus”, é uma referência a uma característica anatômica do animal, que possui a cauda mais longa que seus parentes.

G1

Referência:

1. Cesar R. L. Amaral, Paulo M. Brito “A New Chanidae (Ostariophysii: Gonorynchiformes) from the Cretaceous of Brazil with Affinities to Laurasian Gonorynchiforms from Spain” (PLoS ONE, May 21, 2012, 7(5): e37247. doi:10.1371/journal.pone.0037247)



América foi inicialmente povoada por três ondas migratórias da Ásia, diz estudo
14/07/2012, 9:32 PM
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Durante muito tempo havia dúvida sobre a origem dos habitantes do continente americano. Segundo os pesquisadores, este estudo põe fim ao dilema

Estudo sobre os primeiros americanos teve destaque na revista ‘Nature’ (Imagem: Emiliano Bellini)

Os primeiros habitantes da América chegaram ao continente há mais de 15.000 anos, em três ondas migratórias vindas da Ásia, segundo o estudo de uma equipe internacional de cientistas publicado nesta quarta-feira pela revista Nature.

O estudo do genoma de uma ampla seleção de tribos indígenas americanas, do Canadá à Terra do Fogo (no extremo sul do continente americano), demonstra que a população procede de pelo menos três ondas migratórias de habitantes asiáticos que teriam chegado ao novo continente através do Estreito de Bering, na Sibéria. Durante as eras glaciais — há mais de 15.000 anos —, o Estreito permaneceu congelado e serviu como ponte entre os continentes asiático e americano.

Embora os analistas calculem que tenham ocorrido pelo menos três grandes migrações, a maioria das tribos descende da primeira delas, conhecida como os ‘Primeiros Americanos’, já que as outras duas se limitaram à América do Norte. “Durante anos se debateu se os habitantes da América procediam de uma ou mais migrações através da Sibéria, mas nossa pesquisa põe fim a este dilema: os nativos americanos não procedem de uma só migração”, disse o cientista colombiano Andrés Ruiz-Linares, do University College de Londres, e autor principal do estudo.

Maior pesquisa genética — É a maior pesquisa genética de nativos americanos até o momento, e nela os cientistas analisaram mais de 364.000 variações, detectadas no DNA de 52 tribos indígenas americanas e de 17 grupos siberianos.

A análise foi dificultada pela presença de material genético procedente de migrações posteriores, principalmente dos europeus e africanos que chegaram à América a partir de 1492. Por isso, os pesquisadores se centraram apenas nas seções do genoma que procediam totalmente dos nativos americanos. “Tecnicamente, o estudo dos povos nativos americanos representa todo um desafio devido à presença generalizada de traços europeus e africanos nos grupos nativos”, disse Ruiz-Linares.

Em ondas — A primeira onda migratória — os ‘Primeiros Americanos’ — teria se deparado com um continente desabitado e seguiu rumo ao sul pela costa do Pacífico, deixando povoações em sua passagem, um processo que teria durado cerca de mil anos e cujas linhagens podem ser rastreadas no presente.

No entanto, o DNA de quatro tribos da América do Norte demonstra que houve pelo menos duas outras ondas migratórias: a segunda percorreu a costa do Ártico até a Groenlândia, e a terceira se dirigiu rumo às Montanhas Rochosas. Essas duas levas teriam sido protagonizadas por indivíduos mais próximos à etnia han, predominante na China, do que os ‘Primeiros Americanos’.

Ao avaliar o material genético da tribo dos aleútes e dos inuítes, habitantes do leste e oeste da Groenlândia, os pesquisadores constataram que metade de seu DNA procedia dos integrantes da segunda migração.

No caso dos membros da tribo canadense chipewyan, que viviam entre as Montanhas Rochosas e a baía de Hudson, os especialistas descobriram que tinham 10% do material genético em comum com os protagonistas da terceira leva migratória.

O DNA dessas quatro tribos do Norte – aleútes, inuítes do leste, inuítes do oeste e chipewyan – contém material das três ondas migratórias, mas a maior parte corresponde à primeira. Isso significa que os habitantes asiáticos da segunda e terceira ondas teriam se relacionado com os primeiros que chegaram à América.

Segundo Ruiz-Linares, isso fica demonstrado pela menor diversidade genética dos nativos da América do Sul, cujo DNA é mais próximo ao dos ‘Primeiros Americanos’. “O povoamento do México rumo ao sul parece ter sido relativamente simples, com poucas misturas após a separação dos povos (até a chegada dos europeus em 1492)”, disse o pesquisador.

Veja

Referência:

1. David Reich, Nick Patterson, Desmond Campbell, Arti Tandon, Stéphane Mazieres, Nicolas Ray, Maria V. Parra, Winston Rojas, Constanza Duque, Natalia Mesa, Luis F. García, Omar Triana, Silvia Blair, Amanda Maestre, Juan C. Dib, Claudio M. Bravi, Graciela Bailliet, Daniel Corach, Tábita Hünemeier, Maria Cátira Bortolini, Francisco M. Salzano, María Luiza Petzl-Erler, Victor Acuña-Alonzo, Carlos Aguilar-Salinas, Samuel Canizales-Quinteros  “Reconstructing Native American population history” (Nature, Published online 11 July 201, doi:10.1038/nature11258)



Cientistas sul-africanos acham fósseis de ancestral do homem
14/07/2012, 9:03 PM
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Fragmentos em rocha podem pertencer a hominídeo encontrado em 2009. Entre as partes descobertas, estão mandíbula, fêmur, costelas e vértebras.

Dente encontrado na rocha pode ser de crânio de hominídeo descoberto em 2009 (Foto: Alexander Joe/AFP)

Partes do esqueleto de um ancestral humano achadas em uma rocha na África do Sul foram anunciadas nesta sexta-feira (13) por cientistas.

Foi a primeira vez que um achado arqueológico foi comunicado ao vivo pela internet, como forma de atrair a comunidade científica e o público leigo.

Acredita-se que os ossos, incrustados em uma rocha sólida de 1 metro de diâmetro, pertençam ao hominídeo ‘Karabo’, da espécie Australopithecus sediba. O exemplar foi descoberto em 2009 no sítio arqueológico de Malapa, região do país rica em cavernas e explorada desde 1935.

As novas partes foram encontradas nesse mesmo local, por pesquisadores do Instituto Wits para a Evolução Humana, da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo. Há uma mandíbula, um fêmur (o maior osso do corpo humano, localizado na perna), costelas, vértebras e fragmentos de membros.

Ilustração artistica em 3D de um hominídeo ‘Karabo’, da espécie Australopithecus sediba.

Segundo o pesquisador Lee Berger, especialista em paleoantropologia, algumas partes nunca foram vistas de forma tão completas em fósseis de ancestrais humanos. Se elas realmente forem de Karabo, esse será provavelmente o esqueleto de hominídeo mais completo que existe.

O conteúdo da rocha foi examinado por um escaner de tomografia computadorizada e, para um observador leigo, os ossos ficam invisíveis.

Em breve, um espaço deve ser construído no museu Maropeng, que abriga 13 áreas de escavação de fósseis na região, para que o esqueleto possa ser visto ao vivo ou online.

Os australopitecos – do latim australis (“do sul”) e do grego pithekos (“macaco”) – formam um gênero de vários hominídeos extintos, bastante próximos aos do gênero Homo, ao qual pertence o homem. O Australopithecus sediba (que significa “fonte de água”) viveu entre 1,78 milhão e 1,95 milhão de anos.

G1

Referência:

1. “New Sediba fossils found in rock” (University of the Witwatersrand in Johannesburg, 12 July 2012)

2. Lee R. Berger, Darryl J. de Ruiter, Steven E. Churchill, Peter Schmid, Kristian J. Carlson, Paul H. G. M. Dirksand Job M. Kibii “Australopithecus sediba: A New Species of Homo-Like Australopith from South Africa” (Science, 9 April 2010: Vol. 328 no. 5975 pp. 195-204 DOI: 10.1126/science.1184944) [DOI: 10.1126/science.1184950] [DOI: 10.1126/science.328.5975.154 ]