Creation Science News


Línguas faladas da Europa até a Índia surgiram na Turquia, diz estudo
25/08/2012, 10:29 PM
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Pesquisa diz que agricultura espalhou idiomas pela região. Mais de 3 bilhões de pessoas falam as chamadas línguas indoeuropeias.

A comparação da palavra “mãe” em línguas tão diversas como o hindi, o português, o russo, o holandês, o albanês e o inglês demonstra que foi na atual Turquia que se originaram todos esses idiomas, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (23) da revista Science.

Graças a um complexo modelo informático projetado originalmente para mapear epidemias, cientistas detalharam a evolução da família das línguas indoeuropeias.

Semelhanças entre centenas de línguas faladas da Islândia à Índia deram lugar a acalorados debates sobre o local onde se originaram e o que sua propagação e evolução podem dizer sobre os primeiros humanos.

A palavra ‘mãe’ em diversas línguas indoeuropeias (Foto: Quentin Atkinson/Divulgação)

A teoria dominante até agora dizia que essas línguas, faladas atualmente por 3 bilhões de pessoas, provinham de nômades da Idade do Bronze, que utilizaram cavalos e carroças para se espalhar em todas as direções, a partir das estepes do norte do Mar Cáspio, perto da atual Ucrânia, de 5 mil a 6 mil anos atrás.

Outros afirmam que foi a agricultura — e não o cavalo e a roda — que ajudou a difundir as línguas e apontam suas origens para a atual Turquia há 8 mil ou 9,5 mil anos.

A palavra ‘três’ em diversas línguas indoeuropeias (Foto: Quentin Atkinson/Divulgação)

Este último estudo publicado na “Science” usou uma enorme base de dados de palavras comuns ou afins, tanto modernas quanto antigas, e identificou as raízes da linguagem na atual Turquia e não nas estepes.

“Este é um dos exemplos-chave propostos de que a agricultura é uma força importante na formação da diversidade linguística mundial”, disse o autor principal do estudo, Quentin Atkinson, psicólogo evolutivo da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

A palavra ‘água’ em diversas línguas indoeuropeias (Foto: Quentin Atkinson/Divulgação)

Os resultados se baseiam em investigações arqueológicas e genéticas que sugeriram que a migração humana precoce ajudou a estimular a expansão da agricultura, afirmou Atkinson.

“Não é que todos os caçadores-coletores estavam na Europa e olharam por cima da cerca e viram que seus vizinhos cultivavam e começaram a fazer o mesmo. Houve uma movimentação real de pessoas”, disse.

“Os idiomas sugerem que foi um movimento cultural também. Os caçadores-coletores não estavam só arando, também estavam adotando uma cultura e uma língua”, acrescentou.

O uso de métodos projetados originalmente pelos epidemiologistas para rastrear a linguagem faz sentido porque há tempos foram percebidas similaridades entre a evolução dos seres vivos e as línguas vivas, explicou Atkinson.

“Darwin fala a respeito, em ‘A Origem das Espécies’ e em ‘A Origem do Homem’; se refere a eles como ‘estes curiosos paralelismos'”, acrescentou.

Os biólogos que buscam a origem de uma pandemia tomam amostras em vários locais sequenciam o DNA e fazem um mapa de como o vírus evoluiu ao longo do tempo, observando como seus genes foram modificados.

“Uma vez que se tem a árvore genealógica, é possível rastrear a origem em seus galhos”, afirmou Atkinson. “O que fizemos foi aplicar o mesmo enfoque aos idiomas”, emendou.

A equipe construiu uma base de dados de palavras afins, como “madre” em espanhol, “mother” em inglês, “moeder” em holandês, “mat” em russo, “mitera” em grego e “mam” em hindi.

Em seguida, criaram uma árvore genealógica dos idiomas, que os situava no tempo e no espaço e dava conta das perdas e danos de cognatos (termos com mesma origem etimológica, mas com evolução fonética distinta). Assim, concluíram que estes cognatos derivam da palavra proto-indoeuropeia “mehter”.

Repercussão
“É um grande avanço”, disse o arqueólogo Colin Renfrew, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em outro artigo publicado na Science.

Mas nem todo mundo está convencido.

“Há tanto neste trabalho que é arbitrário”, afirmou Victor Mair, especialista em idioma chinês da Universidade da Pensilvânia, à revista “Science”.

O modelo de Atkinson se baseia em saltos lógicos nas mudanças linguísticas e na forma como os idiomas se difundiram, disse Mair, enquanto a hipótese das estepes “se baseia em dados arqueológicos, como os padrões de enterro, que estão diretamente ligados a materiais datáveis”.

G1

Referência:

1. Remco Bouckaert, Philippe Lemey, Michael Dunn, Simon J. Greenhill, Alexander V. Alekseyenko, Alexei J. Drummond, Russell D. Gray, Marc A. Suchard, Quentin D. Atkinson “Mapping the Origins and Expansion of the Indo-European Language Family” (Science, 24 August 2012: Vol. 337 nº 6097 pp. 957-960, DOI:10.1126/science1219669)

 



Religiosidade diminuirá no Brasil, diz escritor e psicólogo americano
25/08/2012, 10:06 PM
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Michael Shermer vem ao Brasil para disseminar a dúvida e o questionamento na 6ª edição do Fronteiras do Pensamento

Diretor da Sociedade Cética, criador da revista Skeptic e articulista semanal da Scientific American, o psicólogo e escritor americano Michael Shermer vem ao Brasil para disseminar a dúvida e o questionamento na 6ª edição do Fronteiras do Pensamento. Na mala, o cientista traz a certeza de que o ceticismo pode melhorar o planeta. De fato, ele prevê o arrefecimento da religiosidade da população brasileira com o aumento da prosperidade: “As pessoas se voltam para a religião quando seus governos não fornecem uma estrutura social sólida”.

Shermer nem sempre foi tão cético quanto mostra uma das frases de sua entrevista ao Terra: “Eu duvido até que provem o contrário”. Durante o ensino médio, ele batia de porta em porta para propagar a palavra do Evangelho. No curso de psicologia, porém, as certezas cristãs começaram a ruir. Por fim, em 1983, competindo como ciclista em um desafio chamado Race Across America, ele percorreu mais de 2 mil km em 83 horas sem dormir e, absolutamente exausto, passou a delirar. Quando seu time de apoio finalmente pediu que ele parasse para descansar, o ciclista pensou que eram alienígenas conduzindo-o para a nave-mãe. Algumas horas de sono o curaram – a nave, afinal, não passava de um motor home bem americano. Essa confusão o levou a estudar com afinco as razões pelas quais os indivíduos encontram explicações estranhas para eventos que não conseguem entender com a razão.

O livro “The believing brain” [A mente e a crença] de Michael Shermer

Seu livro mais recente, The believing brain – o qual será lançado em breve no País com o título A mente e a crença, pela JSN Editora – trata exatamente disso. Nele, o autor delineia um panorama das associações e dos processos envolvidos na mecânica cerebral da crença. “O cérebro é uma máquina de crenças”, diz Shermer. “A partir dos dados sensoriais que fluem através dos sentidos do cérebro, naturalmente se começa a procurar e encontrar padrões, e então se infundem significados a esses padrões”.

Para explicar suas teorias e fomentar o ceticismo, o mestre em Psicologia Experimental e Ph.D. em História da Ciência espera ser recebido por pessoas “curiosas e apaixonadas por compreender o mundo” em Porto Alegre, dia 27, e São Paulo, dia 29.

Confira a seguir a entrevista completa com Shermer.

Terra – O que significa ser cético?
Michael Shermer – Ceticismo significa investigação cuidadosa. É manter a mente aberta, mas não tão aberta que seu cérebro caia fora e você passe a acreditar em tudo. Ceticismo é ciência, e os cientistas são céticos porque a maioria das ideias acaba se revelando falsa. Assim, a posição padrão da ciência e do ceticismo é a dúvida: eu duvido até que provem o contrário.

Os céticos acreditam na ciência, na razão e na racionalidade. Os céticos acreditam que a mente humana é capaz de resolver problemas e melhorar nossas vidas através da razão. Os céticos são otimistas que têm esperança para o nosso futuro contanto que possam usar a razão e a ciência.

Terra – Qual é o objetivo da ciência em um mundo que procura tanto o sobrenatural?
Shermer – Ciência é um método para responder perguntas sobre o mundo natural com explicações naturais (não sobrenaturais). Ciência é um método sistemático para testar hipóteses acerca do mundo, métodos que podem ser empregados em qualquer lugar, por qualquer pessoa, a qualquer momento. A ciência é aberta e provisória; não Verdades (com V maiúsculo), mas conclusões provisórias baseadas em evidências que podem ser derrubadas se novas evidências surgirem.

Terra – Como pode um cientista ser religioso?
Shermer – Muitos cientistas são religiosos, mas eu acho que eles empregam o que eu chamo de logic-tight compartments (NR: compartimentos cerebrais impermeáveis à lógica) quando eles têm crenças conflitantes. A religião faz coisas que a ciência não faz (como grupos que cozinham sopa e cuidam das pessoas pobres e necessitadas), e a ciência faz coisas que a religião não faz (como a execução de experimentos e coleta de dados para testar hipóteses sobre o mundo).

Terra – O que você acha de James Randi, que oferece US$ 1 milhão para quem provar ser um verdadeiro paranormal?
Shermer – Eu amo o James Randi. Ele é meu amigo e mentor. James Randi é o padrasto do movimento cético moderno. Seu desafio de 1 milhão é uma das coisas mais importantes na história do ceticismo.

Terra – Sobre o seu livro Por que as pessoas acreditam em coisas estranhas (Why People Believe Weird Thing), há uma resposta fácil para esta pergunta? Por que as pessoas acreditam em coisas como horóscopo, tarô, médiuns, óvnis?
Shermer – A principal razão para as pessoas acreditarem em coisas estranhas é porque nós precisamos acreditar em coisas, no geral. Nós fazemos isso procurando padrões na natureza. Nós somos buscadores de padrões. Eu chamo isso de “padronicidade”, a tendência de encontrar padrões significativos em ruídos sem sentido. Ufólogos veem um rosto em Marte. Religiosos veem a Virgem Maria ao lado de um edifício. Paranormais ouvem pessoas mortas falarem com eles através de um receptor de rádio. Os téoricos da conspiração acham que o 11 de setembro foi obra da administração do presidente Bush. É claro que alguns padrões são reais: os germes causam doenças, o DNA é a base da hereditariedade e o presidente Lincoln foi assassinado por uma conspiração. Então a dificuldade está em determinar a diferença entre os padrões verdadeiros e falsos.

Quando nós enganosamente acreditamos ter encontrado um padrão, existem dois tipos de erro: o erro tipo 1, o falso positivo, é acreditar que algo é real quando não é; o erro tipo 2, o falso negativo, é não acreditar que algo é real quando é. Por exemplo, acreditar que o farfalhar da grama é um predador perigoso quando é apenas o vento é um erro tipo 1. Isso não é um grande problema, mas acreditar que um predador perigoso é apenas o vento é um erro tipo 2, que pode custar a vida de um animal. Portanto, teria havido uma seleção natural na evolução dos animais (incluindo primatas como os nossos ancestrais hominídeos) por simplesmente acreditar que todos os padrões são reais. Tais padronicidades, então, significam dizer que as pessoas acreditam em coisas estranhas por causa da nossa necessidade evoluída de acreditar em coisas não estranhas.

Terra – Há quem afirme enxergar espíritos, ouvir vozes e até conversar com seres que já faleceram. Esse tipo de relato é mentiroso?
Shermer – As experiências que as pessoas têm são reais. O que essas experiências representam é algo completamente diferente. A maioria das pessoas não são mentirosas – elas acreditam naquilo que elas pensam ter visto. Mas, na maioria dos casos, elas interpretam erroneamente a experiência.

Terra – Em uma outra entrevista, você comentou sobre a diminuição da religiosidade na Europa e nos EUA. Aqui no Brasil, no entanto, não se nota essa tendência. Qual é o motivo?
Shermer – Eventualmente, a religiosidade vai diminuir no Brasil e nos outros países da América do Sul, à medida que cresce a prosperidade e a confiança das pessoas nos sistemas políticos e econômicos. Uma razão pela qual a religião ainda cresce no Brasil, e em outros países, é que os níveis de confiança entre as pessoas nestes países sul-americanos é baixa, segundo os economistas. As pessoas se voltam para a religião quando seus governos não fornecem uma estrutura social sólida.

Terra – Em seu livro mais recente, The believing brain, você sintetiza 30 anos de suas pesquisas a respeito de como as pessoas formam suas crenças. Dá para sintetizar ainda mais?
Shermer – Minha tese é simples: nós produzimos nossas crenças por uma variedade de razões subjetivas, pessoais, emocionais e psicológicas no contexto de ambientes criados por familiares, amigos, colegas de trabalho, da cultura e da sociedade em geral; após a formação de nossas crenças, nós então defendemos, justificamos e racionalizamo-as com uma série de razões intelectuais, argumentos convincentes e explicações racionais. Crenças vêm em primeiro lugar, e as explicações para as crenças, a seguir.

O cérebro é uma máquina de crenças. A partir dos dados sensoriais que fluem através dos sentidos, o cérebro começa a procurar e encontrar padrões, e então se infundem significados a esses padrões. O primeiro processo eu chamo padronicidade: a tendência para encontrar padrões significativos em ambos os dados, significativos e sem sentido. O segundo processo eu chamo agenticidade: a tendência de infundir padrões com significado e intenção. Nós não podemos evitá-lo. Nossos cérebros evoluíram para ligar os pontos do nosso mundo em padrões significativos que explicam por que as coisas acontecem. Estes padrões significativos se tornam crenças.

Uma vez que as crenças são formadas, o cérebro começa a procurar e encontrar evidências que confirmem e apoiem essas crenças, o que acrescenta um impulso emocional de mais confiança nas crenças e, assim, acelera o processo de reforçá-las, e o processo se transforma em um retorno positivo de confirmação da crença. Bem como, ocasionalmente, as pessoas formam crenças a partir de uma única experiência reveladora em grande parte livre de seu passado pessoal ou da cultura em geral. Mais raro ainda, há aqueles que, ao pesar cuidadosamente as evidências a favor e contra uma posição que já possuem, ou que eles ainda têm de formar uma opinião a respeito, calculam as probabilidades e tomam uma decisão drástica, sem emoção, e não olham para trás.

Essas reversões de crenças são tão raras na religião e na política, que geram manchetes de jornais quando envolvem alguém de destaque, como um clérigo que muda de religião ou um político que muda de partido. Isso acontece, mas é tão raro quanto um cisne negro. Reversões de crenças acontecem com mais frequência na ciência, mas não tão frequentemente como se poderia esperar da visão idealizada do exaltado “método científico”, no qual apenas os fatos contam. A razão para isso é que os cientistas são pessoas também, não menos sujeitos aos caprichos da emoção e à força dos traços cognitivos que moldam e reforçam crenças.

Terra – Você está trabalhando em algum novo livro?
Shermer – Meu próximo livro é The Moral Arc of Science: How Science Has Bent the Arc of the Moral Universe Toward Truth, Justice, Freedom, & Prosperity. O livro trata do arco da moral do universo que se volta na direção da verdade, da justiça, da liberdade e da prosperidade, graças à ciência – o tipo de pensamento que envolve razão, racionalidade, empirismo e ceticismo. A Revolução Científica liderada por Copérnico, Galileu e Newton foi tão transformadora, que os pensadores de outros campos conscientemente buscaram revolucionar o mundo social, político e econômico usando os mesmos métodos da ciência. Isso levou à Idade da Razão e do Iluminismo, que por sua vez criou o mundo moderno secular de democracias, direitos, justiça e liberdade.

Terra – Quem você espera que vá te assistir no Fronteiras do Pensamento?
Shermer – Espero que pessoas interessadas em ciência e no pensamento, pessoas que sejam curiosas e apaixonadas por compreender o mundo.

Fronteiras do Pensamento
Concebido em 2006, o Fronteiras do Pensamento é um seminário que reúne conferencistas de diversas áreas da ciência. O foco de 2012 é a participação efetiva do pensador na mudança social.

Terra

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COMENTÁRIO NOSSO:

Por Daniel F. Zordan

Ainda bem que a religiosidade irá diminuir no Brasil, assim como deverá acontecer no mundo todo. Tudo isso tem que acontecer para que se cumpram as profecias.

“Ninguém de maneira alguma vos engane; porque não será assim sem que antes venha a APOSTASIA, e se manifeste o homem do pecado, o filho da perdição,”  (II Ts 2:3)

“Apostasia” = “Renúncia ou abandono de uma crença religiosa. = ABJURAÇÃO, RENEGAÇÃO”

Esse termo pode estar ligado a uma apostasia que ocorrerá dentro das igrejas (I Tm 4:1 / II Tm 3:1-9 / Jd 17-19), pois é certo que próximo do fim acorrerá uma grande rebelião contra Deus. É nesse tempo que o homem do pecado (iniquidade) deve aparecer. Ele atrairá pelo engano os que já estiverem inclinados contra o verdadeiro Deus e cometerá finalmente o sacrilégio de impor-se à humanidade como objeto de sua adoração. Ele virá pelo poder de Satanás e faz milagres fraudulentos, assim como Cristo veio pelo poder de Deus e fez milagres verdadeiros. Mas seu destino está selado; ele será destruído por ocasião da vinda de Cristo.

The Peace of God



Estudo descarta miscigenação entre ‘Homo sapiens’ e neandertais
15/08/2012, 10:23 PM
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Antropólogos contestam teoria que explica origem do homem moderno. Europeus e asiáticos têm até 4% do DNA de neandertal, mas africanos não.

Antropólogos contestaram teorias segundo as quais o Homo sapiens e os neandertais se miscigenaram, transmitindo aos seres humanos modernos parte do legado genético de seus primos.

Ao longo dos últimos dois anos, vários estudos sugeriram um cruzamento entre o Homo sapiens e os neandertais, hominídeos que viveram em regiões da Europa, Ásia Central e Oriente Médio por até 300 mil anos, mas desapareceran entre 30 e 40 mil anos.

As evidências provêm de fósseis de DNA que demonstram que homens eurasiáticos e asiáticos médios partilham entre 2% e 4% do DNA com os neandertais, enquanto os africanos não têm quase nada em comum.

Mas um novo estudo feito por cientistas da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, diz que o DNA veio de um ancestral comum e não por meio de “hibridização” ou reprodução entre duas espécies de hominídeos.

Segundo publicação na edição desta semana do periódico americano “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS), os pesquisadores Andrea Manica e Anders Eriksson, do Grupo de Ecologia Evolutiva de Cambridge, desenvolveram um modelo de computador para simular essa “odisseia” genética.

Ele começa com um ancestral comum dos neandertais e do Homo sapiens que viveu cerca de meio milhão de anos atrás em regiões de África e Europa.

Por volta de 300 mil e 350 mil anos atrás, as populações europeia e africana desse hominídeo se separaram. Vivendo em isolamento genético, o ramo europeu evoluiu pouco a pouco até dar origem aos neandertais, enquanto o ramo africano acabou originando o Homo sapiens, que se disseminou em ondas migratórias que deixaram a África entre 60 mil e 70 mil anos.

Segundo a teoria, comunidades de Homo sapiens que estavam geneticamente mais próximas da Europa, possivelmente no norte da África, preservaram uma parte relativamente maior de genes ancestrais.

Eles também se tornaram os primeiros colonizadores da Eurásia durante a progressiva migração fora da África. Isso poderia explicar por que os europeus e asiáticos modernos têm uma semelhança genética com os neandertais, mas os africanos, não.

“Nosso trabalho demonstra claramente que os padrões atualmente vistos no genoma do neandertal não são excepcionais e estão alinhados com nossas expectativas do que veríamos sem a hibridização”, afirmou Manica em comunicado.

“Assim, se qualquer hibridização ocorreu, é difícil provar conclusivamente. Deve ter sido mínima e muito menor do que as pessoas alegam agora”, acrescentou.

O que aconteceu com os neandertais é uma das grandes questões da antropologia. A hibridização poderia responder isso, ao menos parcialmente. Ao se miscigenarem com os humanos, os neandertais não teriam sido extintos pelo Homo sapiens ou pelas mudanças climáticas, como alguns argumentam. Ao contrário, os genes dos neandertais teriam se misturados no genoma da cepa dominante do Homo.

Em um estudo separado publicado na PNAS, cientistas chefiados por Svante Paabo, do Instituto Max Planck de Antropologia Evolutiva, em Leipzig, na Alemanha, descobriram que os neandertais e os Homo sapiens se separaram entre 400 mil e 800 mil anos atrás, mais cedo do que se imaginava.

A equipe também calculou que os humanos se separaram dos chimpanzés, nosso parente primata mais próximo, entre 7 e 8 milhões de anos, antes dos 6 a 7 milhões de anos atrás estimados com frequência.

G1

Referência:

1. Graham W. Prescott, David R. Williams, Andrew Balmford, Rhys E. Green, and Andrea Manica “Reply to Lima-Ribeiro et al.: Human arrival scenarios have little influence on interpretations of late Quaternary extinctions” (Proceedings of the National Academy of Sciences, 2012; DOI: 10.1073/pnas.1208586109)



Arqueólogos desenterram passado de mais de 8 mil anos na Grande BH
15/08/2012, 9:48 PM
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Estudiosos encontraram quase 5 mil peças em Matozinhos. Elas foram lavadas, passaram por triagem e ganharam identificação.

Arqueólogos fazem escavações na Lapa do Santo, em Matozinhos (Foto: Alex Araújo/G1)

Milhares de fragmentos de ossos humanos, de conchas e de pedras. Este é o resultado de seis semanas de escavações feitas por uma equipe multidisciplinar composta por arqueólogos, bioantropólogos, geólogos, geógrafos, historiadores e artistas plásticos no distrito de Mocambeiro, em Matozinhos, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os profissionais estavam à procura de sepultamentos que ocorreram, de acordo com eles, há mais de 8,2 mil anos em um sítio arqueológico chamado Lapa do Santo.

A segunda fase dos trabalhos começou no dia 24 de junho e termina neste domingo (5). De acordo com o arqueólogo e coordenador da iniciativa, André Strauss, de 28 anos, quatro sepultamentos humanos, ferramentas, chifres de animais e centenas de lascas de pedras de quartzo foram localizados nos seis metros cúbicos de escavações. A expedição começou com 35 integrantes e terminou com 19.

Na primeira etapa, em 2011, quatro metros cúbicos de área foram explorados. Os trabalhos serão reiniciados em julho de 2013. De acordo com Strauss, as escavações são feitas no período de seca porque é impossível chegar ao local pelas estradas de terra em época de chuva e também porque concilia com as férias acadêmicas, já que a maioria dos expedicionários ainda estuda.

Intitulado “As práticas mortuárias dos primeiros americanos”, Strauss disse que o projeto tem como objetivo saber como viviam os nossos antepassados. “A intenção é descobrir sobre a mobilidade, estratégias de subsistência, alimentação e rituais feitos nos funerais como a manipulação, corte, reorganização de ossos e como era a visão deles em relação à morte”, explicou.

Strauss contou que os trabalhos de buscas eram feitos de segunda-feira a sábado, das 8h30 às 17h30, com intervalo para refeições, no sítio arqueológico, em Matozinhos. A jornada se estendia á noite, depois do jantar, na base de pesquisa, no Parque Estadual do Sumidouro, gerido pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), em Pedro Leopoldo, também na Grande BH, onde os estudiosos faziam a triagem dos materiais. Strauss revelou que mais de 4.816 peças entre ossos, conchas e pedras foram recolhidas na expedição.

Segundo especialistas, crânio encontrado pode ter
de 8,2 mil a 8,4 mil anos (Foto: Alex Araújo/G1)

Na última terça-feira (31), um crânio adulto, provavelmente de um homem, foi encontrado. Os arqueólogos estimam que ele tenha de 8,2 mil a 8,4 mil anos.

Todos os elementos encontrados durante a expedição serão levados para o Laboratório de Estudos Evolutivos Humanos, na Universidade de São Paulo (USP) e, de acordo com Strauss, serão estudados por um período que varia entre dez e 15 anos.

Ele disse que, depois de escavar e descobrir as raridades, o acervo passa por lavagem, triagem, colocação de código de barras para identificação e registro informatizado com etiquetas plastificadas. “Toda a experiência foi trazida da Alemanha, do Instituto Max Planck, que financia o projeto”, explicou. Ele preferiu não divulgar o valor do apoio, e destacou a importância da tecnologia nos trabalhos.

Os especialistas em arqueologia usam a datação por carbono 14 para descobrir a idade dos fósseis escavados. O processo determina a idade dos objetos de origem biológica como ossos, tecidos, madeira e fibras de plantas. “À medida que o carbono 14 diminui, sabe-se a meia-vida do elemento por causa da proporção”, disse Strauss. Cada meia-vida do carbono 14 é de 5,7 mil anos.

Contratempos

Carro que levava arqueólogos teve problemas
mecânicos (Foto: Alex Araújo/G1)

Na última quarta-feira (1º), quando o G1 foi à Lapa do Santo, registrou um contratempo. A Kombi que transportava a equipe que trabalhava nas escavações quebrou no caminho entre a base de pesquisa e o sítio arqueológico, um percurso de aproximadamente 25 quilômetros que é feito em cerca de 40 minutos. Faltou óleo no motor e o veículo parou. Mas nada que tirasse o bom humor e a vontade de trabalhar dos dez expedicionários.

Quatro deles seguiram viagem no carro da reportagem e os outros ficaram na estrada aguardando por socorro, que chegou rápido e os levou até as escavações.

E não há imprevistos que façam os especialistas desistirem de trabalhar. É o caso da bioantropóloga e cocoordenadora do projeto, Mariana Inglez, de 23 anos, que veio de São Paulo. “Essa etapa de campo é muito importante porque a experiência de campo é fundamental. Vale a pena a distância e a saudade da família”, disse Mariana.

Ela contou que a mãe fica triste com a ausência, mas apoia porque entende a importância do projeto. “Não tem problema o carro quebrar, a gente ter que fazer xixi no meio do mato, ter que dividir o quarto e o banheiro com mais de 20 pessoas”, falou, bem-humorada.

Visão externa da Lapa do Santo, em Matozinhos (Foto: Alex Araújo/G1)

Já a arqueóloga portuguesa Sônia Cunha, de 29 anos, formada pela Universidade do Minho, falou que a experiência é compensadora porque ela não havia trabalhado especificamente na área. Sônia destacou a importância da informatização no processo de registro. “Dessa forma não se perdem minúcias dos dados”. Ela também destacou a oportunidade única de trabalhar com arqueologia em Minas Gerais.

G1



Neandertais incluíam vegetais na alimentação, dizem pesquisadores
15/08/2012, 9:33 PM
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Dentes em crânios encontrados na Espanha possuem evidências. Cientistas de ao menos quatro países trabalham em sítio arqueológico.

Rosto de uma réplica de neandertal é visto em uma caverna no Museu Neandertal, na cidade croata de Krapina

Pesquisadores que trabalham no sítio arqueológico de Sima de las Palomas, na província de Múrcia, na Espanha, descobriram que a dieta dos neandertais não era baseada somente em carne, mas também incluía vegetais.

O diretor da escavação, Michael Walker, apresentou nesta segunda-feira (13), na cidade de Torre Pacheco, onde se encontra o sítio, diversas evidências encontradas durante as escavações.

No local foram achados crânios em cujos dentes havia rastros de fitólitos, pequenos elementos minerais que só existem nas plantas. Isso demonstra que os neandertais comiam vegetação, possivelmente sementes de gramíneas, segundo Walker.

Antropólogos e arqueólogos de diversos lugares do mundo atuam na escavação. Profissionais de instituições como a Universidade da Califórnia, a Universidade de Nova York (ambas nos Estados Unidos), a Universidade Cambridge, a Universidade de Reading (ambas no Reino Unido), a Universidade de Sydney (na Austrália) e a Universidade de Oslo (na Noruega), entre outros, auxiliam nos trabalhos.

No local, também foram encontrados restos de ossos de animais com sinais de alteração por combustão, o que deixa evidente que o fogo era utilizado pelos neandertais para “alimentação ou aquecimento”, disse Walker.

Os restos arqueológicos foram descobertos casualmente em 1991, um ano depois que os trabalhos de pesquisa foram iniciados. Porém, somente a partir de 2005 restos humanos começaram a ser encontrados.

Até 2010 foram descobertos mais de 300 restos humanos, incluindo crânios e mandíbulas, que constituem o mais importante conjunto de restos fósseis da espécie Homo neanderthalensis.

A pesquisa realizada pelo grupo arqueológico não descarta a possibilidade de que os restos humanos, que foram encontrados sob pedras e lajes, fossem cobertos intencionalmente, o que evidenciaria a existência de ritos funerários.

G1  e  EFE

 



Descoberta novas espécies de hominídeos que conviveram com ‘Homo erectus’ há 1,7 milhão de anos
14/08/2012, 4:49 AM
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Estudo indica que homem primitivo não estava sozinho

Crânio foi combinado com a mandíbula KNM-ER 60000, de hominídeos diferentes. A mandíbula foi ‘encaixada’ em reconstrução fotográfica e o crânio está baseado numa tomografia (Foto: Fred Spoor/Nature)

O antepassado do homem moderno dividiu o planeta com pelo menos outras duas espécies relacionadas quase 2 milhões de anos atrás, afirmaram cientistas nesta quarta-feira, apontando para peças recém escavadas de um quebra-cabeças que já dura 40 anos.

As descobertas, publicadas na revista científica Nature, tratam da odisseia do nosso ancestral, o humano primitivo de postura ereta conhecido como Homo erectus. O H. erectus e o parente construtor de ferramentas denominado Homo habilis foram provavelmente contemporâneos de uma espécie ainda mais antiga, denominada Homo rudolfensis, argumentam os cientistas.

Paleontólogos Meave Leakey e Fred Spoor, autores do estudo, aparecem coletando fósseis no Quênia, perto do local onde foi encontrada a mandíbula KNM-ER 62000 (Foto: Mike Hettwer/National Geographic/Nature)

“A evolução humana não (é) claramente a linha reta que se pensava anteriormente”, afirmou o coautor do estudo, Fred Spoor, em teleconferência. Spoor e uma equipe de cientistas escavou fragmentos de dentes, face e mandíbula datados do período Pleistoceno, em um sítio a leste do lago Turkana, no norte do Quênia, entre 2007 e 2009. A descoberta pôs um fim a uma busca angustiante por pistas sobre o hominídeo de rosto reto e grande cérebro, cujo crânio tinha sido encontrado ali perto em 1972.

Conhecido como KNM-ER 1470 ou simplesmente como 1470, o hominídeo teria vivido cerca de 2 milhões de anos atrás. Mas esta foi a única coisa que ficou clara, já que paleontólogos brigaram asperamente sobre sua identidade.

Até 2007, tal evidência permaneceu indefinida, uma vez que no crânio faltava o osso da mandíbula inferior, parte vital da evidência. “Então, nossa sorte mudou magicamente e no prazo de três anos, encontramos três fósseis que acreditamos ser tributáveis à mesma espécie do 1470”, disse Meave Leakey, que tinha descoberto o 1470 juntamente com seu marido, Richard Leakey.

Mandíbula KNM-ER 60000 é vista antes de restauração (Foto: Mike Hettwer/National Geographic/Nature)

Louise, a filha do casal, integrava a equipe que descobriu os novos fósseis. Os novos fragmentos de dois indivíduos que se parecem com o 1470 têm entre 1,78 e 1,95 milhão de anos e foram encontrados no raio de 1 km do local onde foi descoberto o 1470. “Um dos grandes problemas com o crânio do 1470 era que, embora fosse notavelmente completo, com a caixa craniana completa e uma parte considerável da face, não tinha dentes, nem a mandíbula inferior”, disse Spoor.

“Este (novo) pequeno crânio tem dentes e de fato os dentes estão muito bem preservados”, acrescentou. Os novos fósseis foram cuidadosamente removidos do arenito usando uma broca de dentista antes de serem escaneados por dentro e por fora em um hospital de Nairóbi, capital do Quênia.

Os escâneres foram usados em uma reconstrução virtual de toda a mandíbula inferior, que demonstrou ter um bom encaixe com a mandíbula superior do 1470. O resultado: um hominídeo que muito provavelmente é de uma linhagem mais antiga do homo chamada H. rudolfensis. Se assim for, significa um golpe em uma teoria contrária de que o 1470 seria um Homo habilis com má-formação.

Dentes de uma das mandíbulas encontradas aparecem, à esquerda, incrustados na rocha e, à direita, após a remoção da terra, mostrando o céu da boca de um ancestral do homem moderno (Foto: Fred Spoor/Nature)

“Falando estatisticamente, as chances de que esta seja realmente uma espécie diferente aumentaram enormemente”, disse Spoor. As três espécies supostamente ficaram fora do caminho umas das outras e tinham alimentação diferente, supõem os autores.

A descoberta é “significativa porque eles respondem a uma questão chave em nosso passado evolutivo: quão diverso foi nosso gênero perto da base da linhagem humana?”, explicou Leakey.

Para outros especialistas, a descoberta mostrou que a família humana de 6 milhões de anos teve três raízes complexas, mas alertaram sobre como deviam ser interpretadas.

Algumas autoridades, por exemplo, argumentam que o Homo erectus evoluiu do Homo habilis, enquanto outros insistem que os dois eram primos ou espécies irmãs.

Os fósseis “ajudam a confirmar a existência de um tipo distinto de humano antigo cerca de 2 milhões de anos atrás”, afirmou Chris Stringer, do Museu de História Natural de Londres.

Terra

Referência:

1. Meave G. Leakey, Fred Spoor, M. Christopher Dean, Craig S. Feibel, Susan C. Antón, Christopher Kiarie & Louise N. Leakey “New fossils from Koobi Fora in northern Kenya confirm taxonomic diversity in early Homo” (Nature, 09 August 2012, 488, 201–204, doi:10.1038/nature11322)

 



Estudo diz que corpos no Atacama viraram múmias pela ação do clima
14/08/2012, 4:19 AM
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Indivíduos da cultura Chinchorro viveram no Chile e Peru há 5 mil anos. Aridez do deserto e tecnologias da época podem ter favorecido processo.

Corpo mumificado é descoberto no deserto do Atacama, no norte do Chile

Cientistas chilenos dizem que corpos mumificados achados no deserto do Atacama, no norte do país, foram preservados pela ação do clima.

Os resultados estão publicados na edição desta semana da revista americana “Proceedings of the National Academy of Sciences” (PNAS).

Desde 1917 foram descobertos, em bom estado de conservação, vários indivíduos da cultura Chinchorro, formada por pescadores e coletores que também viviam no sul do Peru, há 5 mil anos. Isso significa que essas múmias são 2 mil anos anteriores às egípcias.

Agora, os pesquisadores atribuem esse fato ao clima árido do Atacama – o deserto mais seco do mundo –, o que teria dificultado o processo de decomposição dos cadáveres.

Múmia da cultura Chincorro é de uma mulher com peruca de cabelos humanos (Foto: Bernardo Arriaza)

O cientista Pablo Marquet e colegas da Pontifícia Universidade Católica do Chile também não descartam a possibilidade de que o próprio povo Chinchorro tenha mumificado seus mortos. Isso porque, na época em que eles viveram, havia uma maior disponibilidade de água doce e marinha, o que teria resultando em um crescimento populacional e em inovações culturais e tecnológicas suficientemente avançadas para preservar os corpos.

Segundo os autores, a paisagem cheia de múmias levou a população local a cultuar os mortos.

G1

Referência:

1. Pablo A. Marquet, Calogero M. Santoro, Claudio Latorre, Vivien G. Standen, Sebastián R. Abades, Marcelo M. Rivadeneira, Bernardo Arriaza and Michael E. Hochberg “Emergence of social complexity among coastal hunter-gatherers in the Atacama Desert of northern Chile” (Proceedings of the National Academy of Sciences – PNAS, 13 August 2012, doi:10.1073/pnas.1116724109)