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Línguas faladas da Europa até a Índia surgiram na Turquia, diz estudo
25/08/2012, 10:29 PM
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Pesquisa diz que agricultura espalhou idiomas pela região. Mais de 3 bilhões de pessoas falam as chamadas línguas indoeuropeias.

A comparação da palavra “mãe” em línguas tão diversas como o hindi, o português, o russo, o holandês, o albanês e o inglês demonstra que foi na atual Turquia que se originaram todos esses idiomas, segundo estudo publicado nesta quinta-feira (23) da revista Science.

Graças a um complexo modelo informático projetado originalmente para mapear epidemias, cientistas detalharam a evolução da família das línguas indoeuropeias.

Semelhanças entre centenas de línguas faladas da Islândia à Índia deram lugar a acalorados debates sobre o local onde se originaram e o que sua propagação e evolução podem dizer sobre os primeiros humanos.

A palavra ‘mãe’ em diversas línguas indoeuropeias (Foto: Quentin Atkinson/Divulgação)

A teoria dominante até agora dizia que essas línguas, faladas atualmente por 3 bilhões de pessoas, provinham de nômades da Idade do Bronze, que utilizaram cavalos e carroças para se espalhar em todas as direções, a partir das estepes do norte do Mar Cáspio, perto da atual Ucrânia, de 5 mil a 6 mil anos atrás.

Outros afirmam que foi a agricultura — e não o cavalo e a roda — que ajudou a difundir as línguas e apontam suas origens para a atual Turquia há 8 mil ou 9,5 mil anos.

A palavra ‘três’ em diversas línguas indoeuropeias (Foto: Quentin Atkinson/Divulgação)

Este último estudo publicado na “Science” usou uma enorme base de dados de palavras comuns ou afins, tanto modernas quanto antigas, e identificou as raízes da linguagem na atual Turquia e não nas estepes.

“Este é um dos exemplos-chave propostos de que a agricultura é uma força importante na formação da diversidade linguística mundial”, disse o autor principal do estudo, Quentin Atkinson, psicólogo evolutivo da Universidade de Auckland, na Nova Zelândia.

A palavra ‘água’ em diversas línguas indoeuropeias (Foto: Quentin Atkinson/Divulgação)

Os resultados se baseiam em investigações arqueológicas e genéticas que sugeriram que a migração humana precoce ajudou a estimular a expansão da agricultura, afirmou Atkinson.

“Não é que todos os caçadores-coletores estavam na Europa e olharam por cima da cerca e viram que seus vizinhos cultivavam e começaram a fazer o mesmo. Houve uma movimentação real de pessoas”, disse.

“Os idiomas sugerem que foi um movimento cultural também. Os caçadores-coletores não estavam só arando, também estavam adotando uma cultura e uma língua”, acrescentou.

O uso de métodos projetados originalmente pelos epidemiologistas para rastrear a linguagem faz sentido porque há tempos foram percebidas similaridades entre a evolução dos seres vivos e as línguas vivas, explicou Atkinson.

“Darwin fala a respeito, em ‘A Origem das Espécies’ e em ‘A Origem do Homem’; se refere a eles como ‘estes curiosos paralelismos'”, acrescentou.

Os biólogos que buscam a origem de uma pandemia tomam amostras em vários locais sequenciam o DNA e fazem um mapa de como o vírus evoluiu ao longo do tempo, observando como seus genes foram modificados.

“Uma vez que se tem a árvore genealógica, é possível rastrear a origem em seus galhos”, afirmou Atkinson. “O que fizemos foi aplicar o mesmo enfoque aos idiomas”, emendou.

A equipe construiu uma base de dados de palavras afins, como “madre” em espanhol, “mother” em inglês, “moeder” em holandês, “mat” em russo, “mitera” em grego e “mam” em hindi.

Em seguida, criaram uma árvore genealógica dos idiomas, que os situava no tempo e no espaço e dava conta das perdas e danos de cognatos (termos com mesma origem etimológica, mas com evolução fonética distinta). Assim, concluíram que estes cognatos derivam da palavra proto-indoeuropeia “mehter”.

Repercussão
“É um grande avanço”, disse o arqueólogo Colin Renfrew, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, em outro artigo publicado na Science.

Mas nem todo mundo está convencido.

“Há tanto neste trabalho que é arbitrário”, afirmou Victor Mair, especialista em idioma chinês da Universidade da Pensilvânia, à revista “Science”.

O modelo de Atkinson se baseia em saltos lógicos nas mudanças linguísticas e na forma como os idiomas se difundiram, disse Mair, enquanto a hipótese das estepes “se baseia em dados arqueológicos, como os padrões de enterro, que estão diretamente ligados a materiais datáveis”.

G1

Referência:

1. Remco Bouckaert, Philippe Lemey, Michael Dunn, Simon J. Greenhill, Alexander V. Alekseyenko, Alexei J. Drummond, Russell D. Gray, Marc A. Suchard, Quentin D. Atkinson “Mapping the Origins and Expansion of the Indo-European Language Family” (Science, 24 August 2012: Vol. 337 nº 6097 pp. 957-960, DOI:10.1126/science1219669)

 


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