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Neurocirurgião volta do coma e se convence que há vida após a morte
30/03/2013, 6:56 PM
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Alexander Eben entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado.

O Fantástico conta uma história do além! Um neurocirurgião americano nunca acreditou em vida após a morte até passar por uma experiência dramática. Ele entrou em coma profundo, teve visões de uma espécie de paraíso, e voltou convencido de que existe vida do outro lado.

O que existe depois que a vida acaba? Para o neurocirurgião Alexander Eben, a morte sempre significou o fim de tudo. Ele entende do assunto: foi professor da escola de medicina de Harvard, nos Estados Unidos, e há mais de 25 anos estuda o cérebro.

Sempre tinha uma explicação científica para os relatos dos pacientes que voltavam do coma com histórias de jornadas fora do corpo para lugares desconhecidos. Até que ele próprio vivenciou uma delas. E agora afirma: existe vida após a morte.

Era 10 de novembro de 2008. O doutor Alexander é levado às pressas para o hospital, com fortes dores de cabeça. Ao chegar lá, é imediatamente internado na UTI. Em poucas horas já estava em coma profundo.

Ele havia contraído uma forma rara de meningite. Quando o doutor Alexander entrou no hospital os médicos disseram à família que a possibilidade dele sobreviver seria muito baixa.  Ele ficou em coma profundo por sete dias. E foi durante esse período que o doutor Alexander afirma ter tido a experiência mais fantástica que um ser humano pode ter.

Na jornada que eu tive não existia corpo, apenas a minha consciência, diz o médico. Meu cérebro não funcionava. Eu não me lembrava de nada da minha vida pessoal, meus filhos, ou quem eu era.

Ele escreveu um livro para relatar a sua experiência de quase morte. E conta que primeiro foi levado para um ambiente escuro, lamacento e sem seguida chegou a um lugar bonito e tranqüilo. Um vale extenso, muito verde, cheio de flores e repleto de borboleta, diz ele. Ele conta que viu também um espírito lindo, uma mulher com uma roupa simples e com asas. Ela me disse: ‘você vai ser amado para sempre, não há nada a temer, nós vamos cuidar de você’.

Perguntamos ao doutor Alexander se ele viu Deus. Ele disse que sim: Deus estava em tudo ao meu redor, ele estava lá o tempo todo.

Um pesquisador da Universidade Federal de Juiz de Fora participa do maior estudo mundial já feito sobre as experiências de quase morte.

“Os estudos mostram que apenas 10%, uma em cada dez pessoas que tiveram uma ressuscitação bem sucedida relatam experiência de quase morte. Os pacientes que vivenciaram uma experiência de quase morte tendem a ter ao longo do tempo, por exemplo, aumento da satisfação com a vida, tendem a ter diminuição do medo da morte, maior apreciação da espiritualidade, maior apreciação da natureza”, afirma o professor de psiquiatria da Universidade de Juiz de Fora Alexander Moreira-Almeida.

A morte é uma transição, não é o fim de tudo, resume o doutor Alexander. Minha jornada serviu para me mostrar que a consciência nossa existe além do corpo, e ela é muito mais rica fora dele. Isso pode significar que a nossa alma, nosso espírito, seria eterno.

No Brasil, existem pacientes como o doutor Alexander.  Outro caso aconteceu com a mãe de Vera Tabach que passou três meses em coma. Ela voltou contando uma história incrível.

“Ela confessou que nesse período de coma ela se viu como se fosse num quarto de hospital sempre numa cama com várias pessoas em volta de branco. Ela disse que tinha feito um acordo. Que eles tinham dado mais 20 anos para ela, que ela ia conseguir criar os filhos e depois ela ia embora. E a gente acho aquilo uma história, mas realmente aconteceu”, lembra a jornalista Vera Tabach.

Dia 17 de outubro de 1974, quando ela foi para UTI. E voltou depois de um tempo. Quando passou 20 anos, em 1994, em abril, ela começou a se sentir mal. Às 05h, 18 de outubro de 1994, ela morreu.

“Ela sempre dizia que na vida só não tinha jeito pra morte. E depois que ela voltou ela disse que até para morte tinha jeito” conta Vera Tabach.

O doutor Alexander diz que por dois anos tentou achar uma explicação científica para o que aconteceu com ele e com esses outros pacientes. Queria saber se tudo podia ser uma ilusão produzida de alguma maneira pelo cérebro, conversei com colegas da área e cheguei à conclusão de que não há como que explicar. Não foi alucinação, não foi sonho.

Mas nem todos concordam. O professor de neurociências da Universidade de Columbia, Dean Mobbs, diz que é difícil acreditar num desligamento completo do cérebro. E que mesmo no caso do doutor Alexander, outras áreas do cérebro podem ter permanecido ativas, provocando as sensações que ele descreve.

O nosso cérebro é muito bom em transformar a realidade. Em um acidente, como um trauma na cabeça, os caminhos do cérebro podem ser danificados mas é possível que ele encontre outras maneiras de identificar os sinais que vêm de fora e criar uma nova experiência como a da quase morte, por exemplo.

O uso de fortes analgésicos e a baixa oxigenação do cérebro durante estados de coma podem explicar que luzes e sons estranhos sejam percebidos pela mente.

E a sensação de estar fora do corpo já foi induzida artificialmente em muitas pesquisas. Eu acho que essas experiências de quase morte na realidade são uma maneira do cérebro lidar com um trauma.

A ciência ainda não tem respostas conclusivas sobre as experiências de quase morte.

“A grande discussão que existe hoje é: a mente é um produto do cérebro, o cérebro produz a mente; ou a mente é algo além do cérebro, mas que se relaciona com o cérebro”, questiona Alexander.

Independentemente do que tem acontecido,  diz a esposa do doutor Alexander, para ela, que ficou ao lado do leito do hospital esperando o marido voltar, o final foi feliz. Quando chegamos em casa e sentamos no sofá, não acreditei que ele estava  junto comigo de novo.

Fantástico – Edição do dia 24/03/2013



Maior árvore petrificada do mundo é encontrada na Tailândia
30/03/2013, 6:47 PM
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Maior árvore petrificada do mundo é encontrada na Tailândia

Gigantescas árvores fósseis petrificadas foram encontradas no norte da Tailândia. A maior mede 72,2 metros, o que sugere que a árvore original tinha mais de 100 metros, se aproximando da altura das maiores sequoias e eucaliptos que existem atualmente – que podem chegar a cerca de 130 metros de altura.

Entretanto, as árvores antigas não parecem estar relacionadas com as mais altas que existem hoje. Cientistas acreditam que elas estejam intimamente relacionadas com uma espécie chamada Koompassia elegans, que pertence à mesma família dos feijões e ervilhas.

As árvores petrificadas tem cerca de 800 mil anos, e provavelmente viviam numa floresta tropical úmida. Curiosamente, hoje não exitem árvores na Tailândia que se aproximem do tamanho dessas antigas e gigantescas árvores encontradas. Os pesquisadores acreditam que isso acontece porque o local onde os fósseis foram encontrados se modificou muito, com a possibilidade de ter havido alguma elevação na região ao longo dos anos.

Hype Science

Referências:

1. Marc Philippe, Nareerat Boonchai, David K. Ferguson, Hui Jia and Wickanet Songtham “Giant trees from the Middle Pleistocene of Northern Thailand” (Quaternary Science Reviews, Volume 65, 1 April 2013, Pages 1–4)

2. “Ancient Giant Trees Found Petrified in Thailand” (Discovery News, 20 March 2013)



“Os supostos” – 10 ancestrais essenciais da evolução humana
30/03/2013, 6:20 PM
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Milhões de anos e incontáveis mudanças separam os humanos atuais dos primeiros primatas. A seguir, você conhecerá 10 espécies que fizeram boas “contribuições” nessa jornada evolutiva:

10 – Sahelanthropus tchadensis (6 – 7 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana10

Há cerca de 5,4 milhões de anos começou nossa separação em relação aos grandes primatas e muitos pesquisadores acreditam que o S. tchadensis seria o “elo inicial” deste processo. Em 2001, foi encontrado no Deserto de Djurab (República do Chade) um crânio fragmentado que supostamente era de um S. tchadensis e, ao analisar a parte do crânio que se conectava ao pescoço, imagina-se que o animal era bípede.

Contudo, há quem acredite que não se tratava de um elo evolutivo, pois a caixa craniana era menor (350 cm³) do que a dos chimpanzés (390 cm³). Outros argumentam que o crânio era distorcido demais para ser de uma espécie mais próxima dos humanos do que dos grandes primatas.

9 – Kenyanthropus platyops (3,5 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana9

Foi encontrado no Lago Turkana (Quênia) em 1999 um crânio capaz de suportar um cérebro um pouco maior (400 cm³) que o dos chimpanzés, e com dentes que indicavam mastigação dos alimentos. Outra diferença do K. platyops era sua face mais achatada, possível sinal de adaptação a novos ambientes.

8 – Australopithecus afarensis (3 – 3,9 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana8

Uma descoberta feita em Hadar (Etiópia) em 1974 ganhou destaque em veículos de comunicação do mundo todo: 40% (uma porcentagem considerável) do esqueleto de uma criatura que foi carinhosamente apelidada de “Lucy”. A anatomia sugere que Lucy tinha cerca de 1 metro de altura e pesava 30 kg, era bípede, passava o dia em terra e dormia sobre as árvores.

Outro esqueleto de A. afarensis, que ficou conhecido como “Selam”, sugere que a criatura tinha um cérebro de cerca de 440 cm³. Além do tamanho, outro diferencial seria um sulco dividindo o lobo occipital (ligado à visão) do resto do cérebro, presente em chimpanzés, mas não em humanos: o de Selam, de acordo com modelos baseados em seu esqueleto, seria menor do que o dos chimpanzés, um “passo” na escala evolutiva.

7 – Paranthropus boisei (1,4 – 2,3 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana7

Criatura bípede e com um cérebro de 500 a 550 cm³ (44% do de um ser humano), o P. boisei ganhou o apelido de “Quebra-nozes” (“Nutcracker Man”) porque seria capaz de comer alimentos duros, como nozes, sementes e tubérculos (dentes grandes e maxilares fortes davam conta do recado). Acredita-se que essa dieta era suficiente para o gasto energético de seu cérebro, maior que o dos seus ancestrais.

6 – Homo habilis (1,6 – 2,5 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana6

O H. habilis, até onde sabemos, foi o primeiro entre nossos ancestrais a usar pedras como ferramentas, e por isso é também chamado de “Handyman” (em português, algo como “Faz-tudo”). Seus polegares eram relativamente largos, o que garantia uma certa destreza na hora de criar e usar ferramentas. Além disso, ele teria vivido em uma época de intensas mudanças climáticas (em “apenas” alguns milhares de anos, lagos se tornavam desertos, e depois voltavam a ser inundados), algo que o forçou a se adaptar muito para sobreviver.

5 – Homo ergaster (1,5 – 1,8 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana5

Em relação ao tamanho do cérebro, o H. ergaster estava “chegando lá” (850 cm³, ou 71% do tamanho do cérebro humano moderno) e pode ter sido a primeira espécie a dominar o fogo, além de criar instrumentos de pedra mais sofisticados. Ao contrário do que ocorria nas espécies anteriores, macho e fêmea não eram muito diferentes (havia menos “dimorfismo sexual”) e há evidências de que o H. ergaster tinha uma forma primitiva de comunicação por símbolos.

4 – Homo erectus (0,4 – 1,8 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana4

Em 1984, foi encontrado próximo ao Lago Turkana (Quênia) o esqueleto de um “menino” (entre 8 e 11 anos de idade) da raça H. erectus, que dominava o fogo, construía ferramentas e vivia em pequenas comunidades – ao abandonar a vida nas árvores, esses ancestrais precisavam manter predadores afastados, algo que seria mais fácil com a vida comunitária.

O cérebro do “Menino de Turkana” tinha 900 cm³ (75% do tamanho do cérebro de um ser humano moderno) e há evidências de que possuía uma área de memória e fala altamente desenvolvida. Um cérebro maior demandava mais energia, um problema com o qual o H. erectus podia lidar com certa facilidade: caminhando sobre duas pernas e com menos pelos no corpo, ele era capaz de caçar certos animais de modo eficiente, obtendo na carne a energia de que precisava.

3 – Homo heidelbergensis (0,2 – 0,6 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana3

Há evidências de que o H. heidelbergensis enterrava seus mortos de modo ritualístico (uma espécie de cemitério no norte da Espanha reúne vários restos mortais da espécie), possivelmente com oferendas para um deus ou para ajudar o morto numa “vida além-túmulo”.

Possivelmente, esse ancestral tinha um cérebro maior que o nosso (1.100 a 1.400 cm³), era capaz de planejar, se comunicar de modo simbólico e construir abrigos elaborados. Algumas tribos teriam viajado para o continente europeu (entre 300 mil e 400 mil anos atrás) e evoluído para o Homo neanderthalensis, enquanto as que permaneceram na África deram origem ao Homo Sapiens.

2 – Homo neanderthalensis (0,03 – 0,3 milhões de anos atrás)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana2

Mesmo com um cérebro maior que o do Homo Sapiens, o H. neanderthalensis teria habilidade de manipular objetos, raciocínio e memória menos desenvolvidos. Suas armas (facas e lanças) exigiam que se aproximassem de suas presas, o que explicaria por que tantos esqueletos da espécie foram encontrados com fraturas. Sua dieta era extremamente rica em carne, independentemente do ambiente em que a espécie se encontrava, o que sugere uma baixa capacidade de adaptação.

1 – Homo sapiens (0,2 milhões de anos atrás – presente)

Os supostos - 10 ancestrais essenciais da evolução humana1

Depois de uma longa caminhada, aqui estamos nós. Embora guerras, preconceitos e outros problemas possam às vezes nos levar a pensar o contrário, o H. sapiens é uma espécie evoluída: com domínio do fogo e uma grande habilidade de se adaptar, sobreviveu a uma grande seca na África há 140 mil anos que quase extinguiu a espécie. Corpos mais esguios exigiam menos calorias, e armas como arco-e-flecha e lanças de arremesso tornavam as caçadas mais seguras. E, naturalmente, cultura falada e escrita ajudaram a passar conhecimentos essenciais para as futuras gerações.

Hype Science

Referência:

1. “10 Transitional Ancestors of Human Evolution” (Listverse, March 18, 2013)



Canto de pássaro, linguagem de gente
30/03/2013, 6:03 PM
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Tentilhões Zebra

Tentilhões Zebra

Por: Sofia Moutinho – Neurobiólogo identifica em passarinhos genes e padrões neurais ligados à fala e sugere que, biologicamente, não existe diferença entre o canto dessas aves e a nossa linguagem.

Pássaros e humanos estão bem distantes na história evolutiva, mas compartilham uma habilidade rara entre outros animais: a linguagem falada. Não, você não leu errado. Para muitos cientistas, inclusive o neurobiólogo Erich Jarvis, da Universidade Duke (Estados Unidos), não existe diferença biológica entre o canto de alguns pássaros e a fala humana.

O pesquisador e sua equipe acabam de anunciar, no encontro anual da Sociedade Americana para o Progresso da Ciência (AAAS, na sigla em inglês), realizado […] em Boston, que identificaram em mandarins-diamante e beija-flores um grupo de 40 genes ligados ao controle da fala semelhantes aos encontrados em humanos.

Jarvis estuda as bases biológicas da linguagem há 20 anos. Na maior parte de suas pesquisas, examina o comportamento e o cérebro desses dois pássaros e de papagaios – os três têm em comum a capacidade de aprender a vocalizar sons (sejam eles típicos da espécie ou não). Segundo o pesquisador, o que acontece no cérebro dessas aves quando cantam é muito similar ao que ocorre em nosso cérebro quando falamos.

Os resultados do estudo anunciado durante a conferência ainda não foram publicados, mas depois de analisar moléculas geradas por genes ativos em mais de 4.700 amostras de tecido cerebral de mandarins-diamante e beija-flores – alguns do Brasil – e compará-las com as do cérebro humano, Jarvis está seguro de suas conclusões.

“Nossos resultados apontam que comportamentos e conexões neurais associados à fala e ao canto estão ligados a traços genéticos compartilhados por humanos e alguns pássaros que estão separados de nós por três milhões de anos na história da evolução”, diz. “Isso é incrível, pois nem nossos parentes mais próximos, como os chimpanzés, têm essa habilidade de aprender e reproduzir sons”.

Para o cientista, a habilidade teria evoluído independentemente em humanos, pássaros e outros animais que aprendem sons, como as baleias e os golfinhos.

Nada de especial nos humanos

Jarvis têm uma visão sobre a linguagem bem diferente do senso comum e da dos linguistas. Para ele, a linguagem nada mais é do que “a capacidade de controlar os movimentos da laringe para reproduzir sons”. Sendo assim, o pesquisador explica que não há diferença entre o canto dos pássaros e a fala humana.

“As definições de fala e linguagem falada são diferentes para a neurologia e a linguística ou psicologia comportamental”, explica. “Quando se trata de cérebro, linguagem e fala são a mesma coisa. O que diferencia os humanos e esses pássaros dos demais animais é a habilidade de imitar sons. A capacidade de entender a linguagem não é única dos humanos; cães e até galinhas podem entender a linguagem e te obedecer quando você diz ‘senta’.”

Para Jarvis, a diferença entre os beija-flores, mandarins-diamante e humanos está apenas na complexidade da linguagem. “Acredito que esses pássaros têm um nível de linguagem mais complexo do que o imaginado; nós não percebemos porque é um trabalho duro medir a complexidade da vocalização de tantas espécies. Mas, dito isso, eles ainda estão muito longe da complexidade que a linguagem humana adquiriu.”

A psicóloga Janet Werker, da Universidade da Columbia Britânica (Canadá), que estuda a aquisição da linguagem em bebês, acredita que os resultados de Jarvis podem fomentar a compreensão sobre a evolução da linguagem humana.

Werker aponta que enquanto a maioria das espécies, inclusive as estudadas por Jarvis, usa sons para atrair parceiros para o acasalamento, somente os humanos usam a linguagem majoritariamente para a comunicação.

“É possível que no início da nossa história evolutiva usássemos, assim como esses pássaros, a fala e o canto como atrativos sexuais e depois passamos a usar como forma de comunicação também”, sugere. “O interessante é tentar descobrir como se deu essa mudança.”

Ciência Hoje

Referências:

1. Gustavo Arriaga, Eric P. Zhou, Erich D. Jarvis  “Of Mice, Birds, and Men: The Mouse Ultrasonic Song System Has Some Features Similar to Humans and Song-Learning Birds” (PLoS ONE, 2012; 7 (10): e46610 DOI: 10.1371/journal.pone.0046610)

2. Gustavo Arriaga, Erich D. Jarvis “Mouse vocal communication system: Are ultrasounds learned or innate?” (Brain and Language, 2013; 124 (1): 96 DOI: 10.1016/j.bandl.2012.10.002)



A história de Pêssach (Páscoa)
24/03/2013, 1:15 AM
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Feliz Páscoa a todos os leitos deste Blog. Pessach Sameach!

Feliz Páscoa a todos os leitores deste Blog. Pessach Sameach!

Pêssach (Páscoa): Um mandamento Divino

No primeiro dia do mês de Nissan, duas semanas antes do Êxodo do Egito,

D’us disse a Moshê e Aharon: “Este mês será para vocês o começo dos meses; será o primeiro mês do ano para vocês. Vão e falem à toda a congregação de Israel: no décimo dia deste mês, cada homem deverá tomar um cordeiro, conforme a casa de seus pais, um cordeiro para cada família; e deverá mantê-lo até o décimo quarto dia do mesmo mês; e toda a assembléia da congregação de Israel deve abatê-lo ao anoitecer. Deverão pegar o sangue e transportá-lo para as casas onde deverão comê-lo. Comerão a carne naquela noite, tostada ao fogo, com pão ázimo; comê-lo-ão com ervas amargas… E não deixarão sobrar nada até a manhã; mas aquilo que sobrar até a manhã deverá ser queimado com fogo. E assim deverão comê-lo: com a cintura cingida, com sapatos nos pés e o cajado na mão; e devem comê-lo com pressa, – é o Pêssach do Senhor. E quando Eu vir o sangue, passarei sobre vocês, e não haverá praga que os destrua, quando Eu golpear a terra do Egito. E este dia será para vocês um memorial, e deverão celebrá-lo como uma festa do Senhor, através de todas as gerações.

“…. vocês deverão comer pão ázimo, e jogar fora todo fermento de suas casas. E seus filhos dirão a vocês: O que isto significa? Vocês dirão: É o sacrifício de Pêssach a D’us, que passou sobre as casas dos filhos de Israel no Egito quando Ele golpeou os egípcios e poupou nossas moradas.” (Sh’mot/Êxodo 12)

Tudo isso foi dito por Moshê aos filhos de Israel, e eles fizeram como D’us lhes ordenara.

Veio a meia-noite de quatorze para quinze de Nissan, e D’us golpeou todos os primogênitos na terra do Egito, do primeiro filho do faraó ao do prisioneiro nas masmorras; e todos os primogênitos dos animais, como Moshê havia avisado. Houve um lamento pungente e ensurdecedor, pois em cada casa um ente amado caíra golpeado de morte. Então o faraó procurou Moshê e Aharon naquela mesma noite, e lhes disse: “Levantem-se, saiam de perto de meu povo, vocês e os filhos de Israel; vão, sirvam ao Senhor como desejam; tomem seus rebanhos, como disseram, e vão, e me abençoem também.” Finalmente o orgulho do Faraó fora quebrado.

Enquanto isso, os hebreus estavam se preparando para sua apressada partida. Com os corações batendo, reuniram-se em grupos para comer o cordeiro pascal. Participaram da refeição da meia-noite, preparada conforme as instruções de Moshê. As mulheres tiraram dos fornos os pães ázimos, que foram comidos com a carne grelhadas dos cordeiros. O sol já havia se erguido no horizonte quando, à palavra de comando, toda a nação dos hebreus avançou. Mas nem mesmo em meio ao perigo, esqueceram o penhor dado por seus ancestrais a Yossef, e carregaram seus restos mortais com eles, para enterrá-los mais tarde na Terra Prometida.

Dessa maneira os filhos de Israel foram libertados do jugo de seus opressores no dia 15 de Nissan, no ano 2448 após a criação do mundo. Havia 600.000 homens acima de 20 anos de idade que, com suas mulheres, crianças e rebanhos, cruzaram a fronteira do Egito para serem uma nação livre. Muitos egípcios e outros não-judeus juntaram-se aos triunfantes filhos de Israel, esperando partilhar de seu glorioso futuro. Os filhos de Israel não deixaram o Egito de mãos vazias. Além de seus próprios bens, os aterrorizados egípcios haviam entregado a eles seus valores em prata e ouro, vestimentas, num esforço de apressar sua partida. Dessa maneira D’us cumpriu em cada detalhe Sua promessa a Avraham de que seus descendentes deixariam o exílio com grandes riquezas em recompensa aos 210 anos de trabalhos forçados.

Liderando o povo judeu na sua jornada durante o dia havia uma coluna de nuvem, e à noite, uma coluna de fogo iluminando o caminho. Estes mensageiros Divinos não apenas guiavam os filhos de Israel, como também preparava o caminho à sua frente, tornando-o fácil e seguro.

Pêssach na época do Templo

Todo judeu tinha de oferecer o sacrifício pascal no Templo de Jerusalém por ocasião de três festas – Pêssach, Shavuot e Sucot. Pêssach era aquela que reunia o maior número de peregrinos: milhões de judeus vindos de todas as partes. Um mês antes de Pêssach todas as estradas levando a Jerusalém eram reparadas e todos os poços reabastecidos, para que os peregrinos pudessem ter todo o conforto possível. A alegria e o entusiasmo espiritual da população não tinha limites. O clímax acontecia no dia antes de Pêssach, quando a oferenda do cordeiro pascal iniciava-se, ao entardecer. Todos os sacrifícios pascais eram oferecidos durante uma única tarde!

Durante o tempo da oferenda, todos os devotos reunidos, liderados pelos levitas, entoavam salmos de agradecimento. Então os cordeiros pascais eram tostados, pois não era permitido fervê-los. À noite, o grupo familiar que se havia cotizado para trazer uma oferenda pascal, reunia-se em uma casa e celebrava o “sêder” junto, da mesma maneira que fazemos agora, exceto, é claro, que no lugar do “Zêroa” (osso do antebraço) que colocamos na travessa do sêder em lembrança do sacrifício pascal, partilhavam realmente do próprio cordeiro pascal.

Jerusalém era uma cidade jubilosa durante aqueles dias de Pêssach, e muitos não-judeus costumavam se dirigir para lá, vindos de perto e de longe, para testemunhar a maravilhosa celebração de Pêssach.

Nos tempos de hoje, celebrando o sêder no exílio e relembrando aqueles dias gloriosos na nossa pátria, quando o Templo estava em seu total esplendor, exclamamos ao iniciar o sêder:

“Este ano nós estamos aqui, mas que no próximo ano possamos celebrar na Terra de Israel,” e concluímos o sêder com as palavras:

“No próximo ano em Jerusalém!”

Procedimento para os dias de Pessach (25 de Março – 2 de Abril de 2013)

Este ano, 2013, Pêssach terá início segunda-feira, 25 de março, com o acendimento das velas de Shabat e de Yom Tov.***Lembre-se de deixar um fogo pré-aceso (vela votiva e/ou de uma chama do fogão) antes de acender as velas, pois só é permitido cozinhar, acender as velas para o segundo dia, etc.,através da transferência desta chama.

PRIMEIRA NOITE DE PÊSSACH

SEGUNDA-FEIRA, 25/3
• Acende-se as velas de Yom Tov no horário estabelecido: às 17h53 (SP).
• Na oração da noite, Arvit, recita-se o Halel completo.
• No kidush, acrescenta-se a bênção de shehecheyánu. O kidush encontra-se na Hagadá.
• Após o sêder, antes de dormir, recita-se somente o primeiro parágrafo do Shemá e a bênção de Hamapil. Uma vez que esta é uma noite protegida (lel shimurim), as outras preces de proteção são omitidas.
• Na conclusão da refeição, ao recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê Veyavô”, lembrando a festa de Pêssach.


PRIMEIRO DIA DE PÊSSACH

TERÇA-FEIRA, 26/3
• A partir de Mussaf (Prece Adicional) do primeiro dia de Pêssach fala-se “morid hatal” (que faz cair o orvalho) na segunda bênção da Amidá (em vez de “mashiv haruach umorid haguêshem”).
• Antes do almoço recita-se o kidush.
• Na conclusão da refeição, ao se recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”, lembrando a festa de Pêssach.
O acendimento das velas deverá ser feito a partir de uma chama pré-acesa antes do Yom Tov e somente após às 18h46 (SP).
• Os preparativos para o segundo sêder são iniciados somente após este horário.
• Na oração da noite, Arvit, recita-se o Halel completo.
• Desta noite em diante inicia-se a contagem do ômer, que é feita todas as noites até a festa de Shavuot. O texto encontra-se no sidur. (Os quarenta e nove dias entre Pêssach e Shavuot são contados em antecipação ao recebimento da Torá).
• No kidush, acrescenta-se a bênção de “shehecheyánu”. O kidush encontra-se na Hagadá.

SEGUNDO DIA DE PÊSSACH

QUARTA-FEIRA, 27/3
• Antes do almoço recita-se o kidush.
• É costume acrescentar um prato especial na refeição do almoço em lembrança ao banquete que a Rainha Ester ofereceu nesse dia e que levou ao milagre de Purim.
• Na conclusão da refeição, ao se recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”.
• Término do Yom Tov: 18h45 (SP)

CHOL HAMÔED PÊSSACH – dias intermediários

DE QUINTA à DOMINGO, 28 à 31/3
• As atividades criativas normalmente proibidas em Yom Tov são permitidas nos dias de Chol Hamôed exceto em Shabat de Chol Hamôed. Pode-se por exemplo: andar de carro, acender e apagar luz elétrica, etc. Porém, todo trabalho que exija muito esforço, muito tempo ou conserto profissional são proibidos em Chol Hamôed.
• O kidush e as bênçãos das velas não são recitados em Chol Hamôed. Não se colocam tefilin em Chol Hamôed.
• Nas orações de Arvit (noturna), Shacharit (matinal) e Minchá (da tarde), a Amidá recitada é a mesma de todo os dias; porém, acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”, lembrando a festa de Pêssach.
• Também no Bircat Hamazon (Bênção de Graças) acrescenta-se “Yaalê veyavô”.
• Após Shacharit (Prece Matinal), recita-se meio-Halel, uma leitura da Torá e uma Amidá adicional, a de Mussaf de Pêssach.

SÉTIMO DIA DE PÊSSACH

DOMINGO, 31/3, o sétimo dia de Pêssach inicia-se, ao entardecer, com o acendimento das velas de Yom Tov
• Deixa-se uma vela de sete dias ou uma chama acesa antes do acendimento das velas de Yom Tov.
• Acende-se as velas de Yom Tov às 17h47 ( SP).
• Não se fala a bênção de shehecheyánu no acendimento das velas, nem no kidush.
• Antes do jantar recita-se o kidush.
• Na conclusão da refeição, ao se recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”.
• O milagre da Divisão do Mar aconteceu ao amanhecer do sétimo dia de Pêssach. É costume permanecer acordado nesta noite, tal como os judeus antigos o fizeram. Estuda-se Torá durante toda a noite.

SÉTIMO DIA DE PÊSSACH

SEGUNDA-FEIRA, 1/4
• Em Shacharit (Prece Matinal) meio-Halel é recitado.
• Há uma Leitura da Torá especial de Pêssach que é lida na sinagoga : O cântico de louvor pelo milagre da travessia do mar.
• Antes do almoço recita-se o kidush.
• Na conclusão da refeição, ao se recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”.
Acendem-se as velas para o 8º dia de Pêssach antes do pôr-do-sol usando uma chama que esteja ardendo desde antes do pôr-do-sol de quinta-feira, 31/3 (é proibido acendê-la após o crepúsculo). Acenda as velas às 18h41 (em S. Paulo).
Não se recita a bênção de”shehecheyán”u no acendimento das velas nem no kidush.
• Antes do jantar recita-se o kidush.
• Nesta noite, mesmo quem toma cuidado para não molhar a matsá durante os outros dias de Pêssach, faz questão de comê-la molhada.
• Na conclusão da refeição, ao recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”.

OITAVO DIA DE PÊSSACH

TERÇA-FEIRA, 2/4
• Em Shacharit (Prece Matinal) meio-Halel é recitado.
• De manhã, antes de Mussaf (Prece Adicional), fala-se Yizcor em memória dos entes falecidos. É importante lembrar que o principal aspecto do Yizcor é a caridade prometida e doada (após o término de Pêssach) em memória do falecido.
• Antes do almoço recita-se o kidush.
• Neste dia, mesmo quem toma cuidado para não molhar a matsá durante os outros dias de Pêssach, faz questão de comê-la molhada.
• Na conclusão das refeições do dia, ao se recitar o Bircat Hamazon (Bênção de Graças), acrescenta-se o parágrafo “Yaalê veyavô”.
• É costume chassídico fazer uma refeição especial, com matsá e quatro copos de vinho, chamada Seudat Mashiach. Esta refeição tem a intenção de aprofundar nossa conscientização da iminência da Redenção Final. Este também é o tema da haftará do dia.

TÉRMINO DE PÊSSACH
• Pêssach termina após o completo anoitecer de terça-feira (18h40, em S. Paulo).
• Espera-se mais uma hora antes de abrir os armários de chamêts (vendidos na véspera de Pêssach), para que o rabino tenha tempo de readquiri-los.
• Toma-se cuidado absoluto para não comprar de um judeu, mesmo depois da festa, qualquer produto chamêts que ele não tenha vendido na véspera de Pêssach, porque é proibido usufruir do chamêts que foi propriedade de um judeu durante Pêssach.

Referência: http://www.chabad.org.br



RNA que ‘vira’ DNA pode explicar origem da vida na Terra
23/03/2013, 7:16 PM
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Professor Nicholas Hud, do Instituto de Tecnologia da Georgia  (Credit: Georgia Institute of Technology)

Professor Nicholas Hud, do Instituto de Tecnologia da Georgia (Credit: Georgia Institute of Technology)

Moléculas de estruturas simples, como as do RNA, podem se agrupar e formar uma cadeia complexa de genes, semelhante à do DNA, dando pistas sobre a origem da vida, afirma estudo no Journal of the American Chemical Society.

Os cientistas tentam desvendar como a vida pode ter surgido na Terra há bilhões de anos, quando o planeta era ainda um ambiente oceânico. Uma das teorias mais conhecidas indica que o RNA, o ácido nucleico responsável pela síntese das proteínas nas células, pode ter sido um catalisador dessa “sopa” de materiais orgânicos e criado uma forma rudimentar de informação genética.

Porém, os pesquisadores não conseguiam explicar como esse processo ocorreu no passado, já que os nucleotídeos do RNA – conhecidos pelas siglas A, C, G e U – não se agrupam espontaneamente na água. Nicholas Hud, do Instituto de Tecnologia da Georgia, nos Estados Unidos, afirma que um proto-RNA pode solucionar esse mistério.

Junto com um químicos do Instituto de Pesquisas em Biomedicina de Barcelona, na Espanha, Hud viu que as moléculas de dois componentes químicos, o ácido cianúrico (CA) e a triaminopirimidina (TAP), formavam em anéis que, em seguida, podiam ser “empilhados” em uma cadeia quando estavam em um solvente orgânico.

Para conseguir o mesmo efeito na água, meio em que a dupla não conseguia se ligar, os pesquisadores tiveram de “tapear” as moléculas: eles aumentaram uma das pernas da TAP, criando um novo componente, o Tapas, que foi capaz de se agrupar ao CA para criar os anéis empilháveis.

Hud afirma que o experimento não prova que os dois elementos fazem parte desse protótipo do RNA, mas oferece uma explicação plausível para a formação da vida quando a Terra era um grande oceano.

UOL
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Referência:
1. Brian J. Cafferty, Isaac Gállego, Michael C. Chen, Katherine I. Farley, Ramon Eritja, Nicholas V. Hud “Efficient Self-Assembly in Water of Long Noncovalent Polymers by Nucleobase Analogues” (Journal of the American Chemical Society, 2013; 135 (7): 2447 DOI: 10.1021/ja312155v)


Como coelhos podem ter levado a extinção dos Neandertais
23/03/2013, 6:39 PM
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Como coelhos podem ter levado a extinção dos Neandertais2

Segundo um novo estudo da Durrell Wildlife Conservation Trust, no Reino Unido, coelhos – ou a falta de habilidade dos Neandertais em matá-los– podem ter levado à extinção destes hominídeos milhares de anos atrás.

Há aproximadamente 24.000 anos, a nossa espécie (Homo sapiens) não estava sozinha no mundo. Os nossos parentes mais próximos, os Neandertais, ainda estavam vivos. Uma ossada de “hobbits” encontrada na Indonésia pode representar outra espécie do gênero Homo que viveu até 12.000 anos atrás.

Por que estas espécies morreram e a nossa sobreviveu?

Mudanças ambientais, infecções e competição entre as espécies (com a nossa saindo vitoriosa) são algumas das teorias dos cientistas, mas não há certeza do motivo que levou à extinção de todos os outros hominídeos.

Neandertais, alimentação e extinção

A maioria das hipóteses sobre como os Neandertais foram extintos foca em alguma combinação de mudanças ambientais e invasão de nossos antepassados.

Em um nível básico, os Neandertais deveriam ter sido capazes de sobreviver por tanto tempo quanto houvesse comida disponível – e havia comida, uma vez que nós fomos capazes de nos alimentar.

Para explicar porque eles desapareceram, então, alguns campos de pensamento sugerem que os Neandertais não eram capazes de caçar algumas das presas mais complicadas que os humanos conseguiam.

No entanto, pesquisas recentes feitas em locais com vestígios Neandertais revelaram que eles eram, aparentemente, perfeitamente capazes de caçar e comer peixe, aves e mamíferos marinhos.

Sinais de que nossos primos extintos caçavam golfinhos e focas foram apresentados em 2008 como prova de sua sofisticação. Em seguida, veio a descoberta de escamas de peixe e penas em ferramentas Neandertais.

O empecilho coelho

Agora, um novo estudo conduzido pelo cientista John Fa descobriu que os Neandertais podem ter tido dificuldade de caçar coelhos.

Fa e sua equipe examinaram três cavernas pertencentes a ambos seres humanos ancestrais e Neandertais na França e na Espanha. A julgar pelos restos de animais encontrados nas cavernas, os dois grupos pareceram se alimentar de grandes animais como veados até cerca de 30.000 anos atrás.

Neste ponto, os seres humanos parecem ter mudado para comer presas menores, como coelhos, já que restos desses animais eram mais abundantes em suas cavernas. Não há evidências de que os Neandertais fizeram o mesmo, e isso coincide com o declínio de suas populações até seu desaparecimento.

Porque eles não foram capazes de caçar coelhos não é claro.

Pode ser que uma escassez repentina de grandes presas significou que os hominídeos tiveram que se adaptar rapidamente a comer presas menores, com coelhos se tornando o principal elemento da dieta humana.

Fa e sua equipe especulam que, para caçar coelhos, era necessária a utilização de fogo ou cães para persegui-los fora de suas tocas, estratégias que podem ter sido muito complexas para os Neandertais. Outra ideia é que eles eram menos capazes de cooperar entre si para caçar esses animais.

No entanto, Bruce Hardy de Kenyon College (EUA) acredita que a equipe de Fa levou a interpretação dos restos nas cavernas dessas espécies hominídeas muito longe. Os seres humanos podem ter comido mais coelhos do que os Neandertais, mas não comiam carne exclusivamente.

O próximo passo da pesquisa, a análise dos isótopos nos ossos de hominídeos desta região, que podem variar de acordo com o que eles comeram, tem o potencial de confirmar ou não a hipótese de Fa.

Hype Science

Referência:

1. Fa JE, Stewart JR,Lloveras L,Vargas JM “Rabbits and hominin survival in Iberia” (Journal of human evolution, 2013 Apr; vol. 64; Ed. 4; Pag. 233-41. doi: 10.1016/j.jhevol.2013.01.002)