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Ateus buscam apoio na ciência durante momentos de estresse
25/06/2013, 1:46 AM
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Ateus buscam apoio na ciência durante momentos de estresse

Já foi demonstrado que a fé religiosa pode ajudar as pessoas a lidar com o estresse e a ansiedade (3), dando a elas uma sensação de controle em momentos de incertezas. Aparentemente, a “crença” na ciência e uma abordagem racionalista pode fazer o mesmo para as pessoas não religiosas (4) .

Para entender como uma pessoa não religiosa lida com estresse e incerteza, uma equipe de psicólogos da Universidade de Oxford (Reino Unido), liderados pelo professor Miguel Farias, procurou uma área da atividade humana cheia desses elementos: uma competição esportiva. No caso, uma competição de barcos a remo.

Pouco antes da competição, 52 remadores receberam um questionário sobre a “crença na ciência” e, para comparar, um grupo de remadores que estava começando um treino recebeu o mesmo teste. O teste pedia para eles darem uma nota sobre sua concordância com frases como “a ciência é a parte mais valiosa da cultura humana”, além de informar qual seu nível de estresse e qual o grau de sua crença religiosa.

O resultado do teste mostrou que remadores prestes a competir dão uma nota 14% maior à sua crença na ciência (5) do que os que estavam apenas treinando. Mas o trabalho tem suas limitações – ele não mediu se os níveis de estresse baixaram e se os participantes, atletas competitivos que seguem um regime de treinamento racional, provavelmente já tinham uma mentalidade mais racionalista.

Entretanto, o resultado vem se somar a um conjunto crescente de evidências psicológicas que as pessoas buscam conforto em tempos difíceis aproximando-se de certos aspectos de sua visão de mundo – pessoas conservadoras se tornam mais conservadoras, por exemplo, liberais ficam mais liberais, e religiosos ficam mais devotos.

A visão racionalista teria a mesma função, segundo Farias. “Qualquer tipo de sistema de crenças que lhe ajude a estruturar sua percepção da realidade vai permitir que você pense o universo de uma forma significativa particular”, comenta.

O próximo passado dos pesquisadores é realizar estudos com cientistas religiosos, para ver como os dois sistemas de crença interagem em resposta ao estresse.

HypeScience

Referências:

1. Miguel Farias, Anna-Kaisa Newheiser, Guy Kahane and Zoe de Toledo “Scientific faith: Belief in science increases in the face of stress and existential anxiety” (Journal of Experimental Social Psychology, 2013; DOI: 10.1016/j.jesp.2013.05.008)

2. “Atheists turn to science during times of stress” (New Scientist, 07 June 2013)

Fontes Adicionais:

3. “Neural Markers of Religious Conviction” (Psychological Science, March 2009, (DOI: 10.1111%2Fj.1467-9280.2009.02305.x)

4. “The God issue: Alain de Botton’s religion for atheists” (New Scientist, 23 March 2012)

5. “Analytic Thinking Promotes Religious Disbelief” (Science, 27 April 2012, DOI: 10.1126/science.1215647)

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COMENTÁRIO NOSSO:

Ateus buscam apoio na ciência durante momentos de estresse2

Por Daniel F. Zordan

A matéria começa bem ao dizer “crença” na ciência. Contudo, em entrevista à Science Daily (6) o pesquisador afirma:

“…that they have only shown this in one direction – that stress or anxiety increases belief in science.” (“…que eles têm demonstrado apenas em uma direção – de que o stress ou ansiedade aumentam a crença na ciência.”)

Eles também afirmam que é necessário fazer outros experimentos para confirmar se a crença na ciência poderia reduzir de fato o Stress e a ansiedade (“…other experiments should be done to examine whether affirming a belief in science might then reduce subsequent experience of stress or anxiety.”) 

Tenho pra mim que as respostas dos atletas estavam mais pra “confiança” do que pra “crença”.

Existem muitas teorias que de fato passaram a ser provas, leis, dentro da ciência. Porém, ainda existem muitas teorias que necessitam de “fé” para “crer”. Teorias que não podem ser “observadas e testadas” deve ser classificadas como “crença ou fé”.

Outro detalhe: Evidências não são provas, mas hipóteses de trabalho que nos levam às teorias. Ou são provas, ou são apenas evidências. Não podemos confundir as coisas. E não é por menos que o pesquisador Miguel Farias diz:

“Any kind of belief system helps you structure your perception of reality,” he says. “It allows you to think of the universe in a particular meaningful way.” (“Qualquer tipo de sistema de crenças que lhe ajude a estruturar sua percepção da realidade” diz ele. “Ela permite que você pense o universo de uma forma significativa particular”)

O fato é que assim como muitos teístas (os religiosos) não conhecem afundo a religião que acreditam – muitos ateus (descrentes em dividandades ou naturalistas), não conhecem afundo ciência que acreditam.

Vale lembrar por um momento o artigo publicado na New Scientist (7) em 2010 que trazia o titulo The faith that underpins science” (“A fé que suporta a ciência”). Em entrevista o pesquisador Brian E. Davies,  autor do livro “Why Beliefs Matter” dizia:

Scientists, like everyone else, have beliefs,”…”He is not only referring to religious beliefs but to philosophical ones, too. While religious beliefs can be easy to leave at the laboratory door, philosophical beliefs are much harder to sideline. (Cientistas, como qualquer outra pessoas, tem crenças,”…”Ele não refere-se apenas as crenças religiosas, mas também filosóficas. Embora as crenças religiosas possam ser mais fácil de deixar na porta (lado de fora) do laboratório, as crenças filosóficas são bem mais difíceis de deixar de lado.”)

Aqui ficam algumas perguntas: Onde fica a fronteira que divide “crença e razão” – “filosofia e ciência”?

Verdadeiramente é difícil para qualquer cientistas entrar no laboratório sem levar consigo suas crenças e filosofias.

Referências:

6. “‘Belief in Science’ Increases in Stressful Situations” (Science Daily, June 5, 2013)

7. “The faith that underpins science” (New Scientist, 9 August 2010)



Modelo aceito para formação de memória a longo prazo é refutado
22/06/2013, 8:37 AM
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A memória fica armazenada numa região do cérebro chamado de hipocampo, mostrado em vermelho nesta ilustração.

A memória fica armazenada numa região do cérebro chamado de hipocampo, mostrado em vermelho nesta ilustração.

Segundo um estudo da Universidade Johns Hopkins (EUA), um modelo amplamente aceito de formação da memória a longo prazo, que depende de uma única enzima no cérebro, é falho.

Os pesquisadores descobriram que ratos sem esta enzima – que supostamente constrói a memória – ainda eram capazes de formar memórias de longo prazo, da mesma forma que ratos normais.

Formando memórias

A teoria prevalecente atualmente é de que, quando você aprende algo, você fortalece as conexões entre as células do cérebro, chamadas sinapse.

Mas como exatamente esse “fortalecimento” acontece? Estudos anteriores haviam sugerido que a chave para tal processo era a enzima conhecida como PKMζ (pronuncia-se PKM-zeta).

Em 2006, uma pesquisa2 do centro médico SUNY Downstate criou uma molécula que parecia bloquear a ação de PKMζ. Quando a molécula, denominada ZIP, foi dada a ratos, “apagou” memórias existentes a longo prazo.

No entanto, para os pesquisadores da John Hopkins, ninguém sabe direito o que estava agindo sobre a PKMζ – e a melhor aprendizagem das características da enzima poderia dizer muito mais sobre como as memórias são armazenadas e mantidas.

O estudo

Os cientistas criaram ratos que não tinham PKMζ. O objetivo era comparar as sinapses dos animais modificados com as de ratos normais, e encontrar pistas sobre como a enzima funciona.

Eles acreditavam que a capacidade das sinapses dos ratos modificados seria prejudicada, mas isso não aconteceu.

“Os cérebros dos ratos sem PKMζ eram indistinguíveis dos outros ratos”, disse Julia Bachman, uma das autoras do estudo. Além disso, as sinapses dos ratos sem PKMζ responderam à molécula ZIP, que apaga a memória³, da mesma forma que as sinapses dos ratos normais.

Os cientistas então analisaram se, na ausência de PKMζ, os cérebros dos ratos tinham “melhorado” um outro “caminho substituto” para construir sinapses, da mesma forma que uma pessoa cega aprende a recolher mais informações a partir de seus outros sentidos.

Eles testaram ratos cujos genes PKMζ funcionaram normalmente até que receberam uma droga que os bloqueava. Isto permitiu que estudassem ratos adultos sem PKMζ que não tiveram nenhuma oportunidade de desenvolver uma maneira de contornar a perda do gene.

Ainda assim, as sinapses destes ratos responderam a estímulos exatamente como as sinapses em ratos normais. Isto significa que a PKMζ não é a molécula-chave para a memória de longo prazo, como outros estudos concluíram, embora possa ter algum papel na memória.

O estudo foi publicado na revista Nature1.

HypeScience

Referências:

1. Lenora J. Volk, Julia L. Bachman, Richard Johnson, Yilin Yu and Richard L. Huganir “PKM-ζ is not required for hippocampal synaptic plasticity, learning and memory” (Nature, 2013; DOI: 10.1038/nature11802)

2. Eva Pastalkova, Peter Serrano, Deana Pinkhasova, Emma Wallace, André Antonio Fenton and Todd Charlton Sacktor “Storage of Spatial Information by the Maintenance Mechanism of LTP” (Science, 25, August 2006: Vol. 313 nº 5790 pp. 1141-1144, DOI: 10.1126/science.1128657)

3. Diancai Cai, Kaycey Pearce, Shanping Chen, and David L. Glanzman “Protein Kinase M Maintains Long-Term Sensitization and Long-Term Facilitation in Aplysia” (Journal of Neuroscience, 27 April 2011, 31(17): 6421-6431; DOI: 10.1523/JNEUROSCI.4744-10,2011)




Teoria da evolução das estrelas estava incorreta
22/06/2013, 6:57 AM
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Astrônomos descobrem novo padrão no fim da vida de algumas estrelas

Esta imagem mostra o aglomerado globular NGC 6752, situado na constelação austral do Pavão, cujo estudo revelou surpreendentemente que 70% das estrelas não passam pela fase de perda de massa no final das suas vidas. [Imagem: ESO]

Esta imagem mostra o aglomerado globular NGC 6752, situado na constelação austral do Pavão, cujo estudo revelou surpreendentemente que 70% das estrelas não passam pela fase de perda de massa no final das suas vidas. [Imagem: ESO]

Novas observações de um enorme aglomerado estelar, obtidas com o VLT (Very Large Telescope, em inglês, ou Telescópio Muito Grande, em português) do Observatório Europeu do Sul (ESO, na sigla em inglês), mostraram que, ao contrário do que se esperava, a maioria das estrelas estudadas como o Sol não perdeu sua atmosfera para o espaço ao final das suas vidas. Até então, os astrônomos esperavam que isso ocorresse.

Uma equipe internacional descobriu que a quantidade de sódio presente nas estrelas permite prever de modo muito preciso como é que estes objetos terminarão as suas vidas. E o modo como as estrelas evoluem e terminam suas vidas foi durante muitos anos um processo considerado bem compreendido. Modelos computacionais detalhados preveem que estrelas com massa semelhante à do Sol passem por uma fase no final das suas vidas, o chamado ramo assintótico das gigantes ou AGB (sigla do inglês para asymptotic giant branch). Nesta fase ocorre uma queima final de combustível nuclear, e grande parte da massa das estrelas é perdida na forma de gás e poeira.

Este material expelido é depois utilizado para formar uma nova geração de estrelas, sendo este ciclo de perda de massa e renascimento vital para explicar a evolução química do Universo. Este processo fornece também o material necessário à formação de planetas – e contém ainda os ingredientes necessários à vida orgânica.

No entanto, o australiano Simon Campbell, da Monash University Centre for Astrophysics de Melbourne, Austrália, especialista em teorias estelares, descobriu em artigos científicos antigos indícios importantes de que algumas estrelas poderiam de algum modo não seguir estas regras, pulando completamente a fase AGB. “Para um cientista de modelos estelares, estas hipóteses pareciam loucas! Todas as estrelas passam pela fase AGB, de acordo com os nossos modelos. Eu verifiquei e tornei a verificar todos os estudos antigos sobre o assunto, e acabei por concluir que este fato não tinha sido estudado com o rigor necessário. Por isso, decidi eu mesmo investigar o assunto, apesar de ter pouca experiência observacional”, explica.

Campbell e a sua equipe utilizaram o Very Large Telescope do ESO para estudar com muito cuidado a radiação emitida pelas estrelas do aglomerado estelar globular NGC 6752, situado na constelação austral do Pavão. Esta enorme bola de estrelas antigas contém uma primeira geração de estrelas e uma segunda formada pouco tempo depois. As duas gerações conseguem distinguir-se pela quantidade de sódio que contêm – algo que pode ser medido graças à qualidade extremamente elevada dos dados do VLT.

“O FLAMES, o espectrógrafo multi-objeto de alta resolução montado no VLT, era o único instrumento capaz de obter dados de 130 estrelas ao mesmo tempo, e com a qualidade suficiente. Com este instrumento pudemos também observar uma grande parte do aglomerado globular de uma só vez”, acrescenta Campbell.

Os resultados surpreenderam os pesquisadores. Todas as estrelas AGB do estudo eram da primeira geração, com níveis de sódio baixos, e nenhuma das estrelas da segunda geração, com níveis mais altos de sódio, tinha se tornado numa AGB. Um total de 70% das estrelas não estava nesta fase final de queima nuclear com consequente perda de massa.

“Parece que as estrelas precisam de uma ‘dieta’ pobre em sódio para que possam atingir a fase AGB no final das suas vidas. Esta observação é importante por várias razões. Estas estrelas são as mais brilhantes nos aglomerados globulares – por isso, haverá 70% menos destas estrelas tão brilhantes do que a teoria prevê. O que significa também que os nossos modelos estelares estão incompletos e devem ser corrigidos!”, conclui Campbell.

A equipe espera que sejam encontrados resultados semelhantes para outros aglomerados estelares e está planejando mais observações.

Terra

Referência:

1. Simon W. Campbell, Valentina D’Orazi, David Yong, Thomas N. Constantino, John C. Lattanzio, Richard J. Stancliffe, George C. Angelou, Elizabeth C. Wylie-de Boer, Frank Grundahl “Sodium content as a predictor of the advanced evolution of globular cluster stars” (Nature, 2013; DOI: 10.1038/nature12191)