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O universo é infinito: mito ou realidade?

O universo é infinito_mito ou realidade

Durante o ano de 1917, Albert Einstein estava às voltas com o problema da inércia (formulada há 400 anos): porque os corpos oferecem resistência à mudança de seu estado atual, um corpo tende a permanecer em repouso ou movimento retilíneo uniforme a menos que alguma força seja aplicada a ele. Mas faltava explicar por que isto acontecia.

Segundo a ideia de outros físicos, a inércia é o resultado da interação com o campo gravitacional de outras estrelas. Mas quantas estrelas? Einstein tinha alguns problemas com a ideia de um universo infinito, com infinitas estrelas: a massa seria infinita, e a inércia também seria infinita – os corpos não se moveriam.

Mas a ideia de um universo limitado flutuando no meio do vazio também tinha seus problemas. Um deles era uma explicação para o motivo das estrelas não escaparem para fora deste universo, esvaziando-o.

A solução pareceu maluca até mesmo para Einstein: o universo poderia ser finito, mas sem bordas, sem limites. O campo gravitacional curvaria tanto o universo que ele fecharia sobre si mesmo. Um universo assim não teria limites, mas seria finito.

Einstein apresentou sua ideia em um trabalho chamado “Considerações Cosmológicas na Teoria Geral da Relatividade”, o mesmo trabalho em que apresentou a sua constante cosmológica, mais tarde chamada por ele de seu “maior erro”, que recentemente acabou sendo ressuscitada pelos físicos, para representar a energia escura.

Para ajudar as pessoas a entender sua ideia, Einstein criou uma metáfora que foi usada até por Carl Sagan para explicar a quarta dimensão. Essa metáfora pede para o leitor imaginar dois exploradores bidimensionais em um universo bidimensional. Estes “habitantes do plano” poderiam andar em qualquer direção na superfície achatada que seria o seu universo, mas os conceitos de “para cima” ou “para baixo” não teriam significado para eles.

Einstein propôs uma pequena mudança neste universo bidimensional, sugerindo um plano ligeiramente curvo. E se o universo destes exploradores fosse ainda bidimensional, mas não fosse plano, e sim, curvo como a superfície de um globo? Uma seta que estes exploradores disparassem viajaria em linha reta, mas eventualmente faria a curva em todo o globo, voltando ao ponto de início.

Desta forma, o tamanho total do universo destes exploradores bidimensionais seria finito, mas eles poderiam viajar em qualquer direção, e nunca encontrariam uma borda. E se viajassem em linha reta acabariam retornando ao ponto de início, sem precisar fazer curva alguma. E se este globo estivesse em expansão, este universo bidimensional também estaria em expansão, mas sem ter bordas.

Einstein então sugere que nosso universo 3D também seria curvo, ou seja, fechado sobre si mesmo, como aquela superfície plana sobre um globo. É complicado de imaginar um universo assim, mas por incrível que pareça, ele pode ser facilmente descrito usando a geometria não Euclidiana que foi criada por Gauss e Riemann. E isto continua valendo para um universo com quatro dimensões, o espaço-tempo.

Em um universo curvado, um raio de luz que viaja em uma direção percorreria o que a nós se pareceria com uma linha reta, e ainda assim faria uma curva e retornaria para o ponto de início. O físico Max Born afirmou que “a sugestão de um espaço finito, mas ilimitado é uma das maiores ideias sobre a natureza do mundo que já foi concebida”.

Mas o que haveria fora deste universo curvado? O que tem no outro lado da curvatura? Estas perguntas não têm resposta. Mais que isto, elas não têm sentido, da mesma forma que não faria sentido perguntar a um daqueles habitantes do mundo bidimensional o que há fora do mundo deles.

Em resumo, Einstein propôs que o universo poderia ser finito, curvado sobre si mesmo. O que determinaria esta curvatura seria a quantidade de massa-energia nele. As medições feitas mais recentemente com a sonda WMAP (“Wilkinson Microwave Anisotropy Probe” ou “Sonda de Anisotropia de Microondas Wilkinson”, que mediu a densidade da radiação cósmica de fundo) apontam para um universo visível plano, com uma margem de erro de 0,4%.

O problema é a expressão “universo visível”. O universo visível é apenas o que pode ser captado com nossos telescópios, e corresponde a uma esfera de alguns bilhões de anos-luz de raio em torno da Terra. Mas isto pode corresponder apenas a um pedaço pequeno do universo total, e este universo total poderia ser tão grande que a medição da curvatura local seria equivalente a zero.

Enfim, quando a noção de um universo infinito surgiu, não tínhamos ideia de que ele estava na verdade se expandindo (1), e que essa expansão era acelerada.

Hype Science

Referências:

1. “How Did Nobel-Winning Physicists Discover Cosmic Acceleration?” (Live Science, October 04, 201)

2. “Infinity in the real world: Does space go on forever?” (New Scientist, 28 November 2012)

3. “How Einstein Discovered Dark Energy” (arXiv, 22 November 2012)

4. “Is the Universe finite or infinite An interview with Joseph Silk” (ESA, 2 May 2001)

 

 



A descoberta do bóson de Higgs mostrou que o universo não é natural?
13/07/2013, 4:52 AM
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A descoberta do bóson de Higgs mostrou que o universo não é natural

Descobrimos o bóson de Higgs (1) no ano passado, mas ele não é exatamente o que esperávamos. De acordo com alguns físicos, isso significa que o universo em si não é o que nós pensávamos também.

Nima Arkani-Hamed, teórico do Instituto de Estudos Avançados de Princeton (EUA), explica (a , b) um pouco dos resultados experimentais recentes aparentemente contraditórios do Grande Colisor de Hádrons (LHC, na sigla em inglês), o maior acelerador de partícula do mundo.

Segundo ele, a descoberta espetacular do bóson de Higgs em julho de 2012 (2) confirmou uma teoria de quase 50 anos de idade de como as partículas elementares adquirem sua massa (3) – e, por consequência, como elas podem formar grandes estruturas como galáxias e seres humanos.

“O fato de que o bóson foi visto mais ou menos onde esperávamos encontrá-lo é um triunfo para a física experimental e um triunfo para a física teórica – é uma indicação de que a física funciona”, Arkani-Hamed disse.

No entanto, para que o bóson de Higgs fizesse sentido com a massa (ou energia equivalente), que foi determinado a ter, o LHC precisava ter encontrado várias outras partículas também. Nenhuma delas apareceu.

Com a descoberta de uma única partícula, as experiências do LHC se aprofundam em um problema que a física vem antecipando por décadas.
Equações modernas parecem captar a realidade com uma precisão de tirar o fôlego, prevendo corretamente os valores de muitas constantes da natureza e a existência de partículas como o bóson de Higgs. No entanto, algumas constantes – incluindo a massa do bóson de Higgs – são exponencialmente diferentes do que essas leis confiáveis matemáticas e físicas nos indicam que devem ser, de forma que excluiria qualquer possibilidade de vida, a menos que o universo seja formado por inexplicáveis afinações (que fazem tudo se encaixar no seu lugar perfeitamente) e cancelamentos.

Isso põe em “perigo” a noção de “naturalidade” de Albert Einstein, de que as leis da natureza são sublimemente lindas, inevitáveis e autossuficientes. Sem ela, os físicos enfrentam a perspectiva dura de que essas leis são apenas um resultado arbitrário e confuso de flutuações aleatórias no tecido do espaço-tempo.

A descoberta do bóson de Higgs mostrou que o universo não é natural2

O LHC vai continuar a esmagar prótons em 2015, durante novas pesquisas que ainda tentam procurar respostas. No entanto, não somente Arkani-Hamed, mas muitos outros grandes físicos já estão começando a encarar a possibilidade de que o universo possa ser antinatural – apesar da divergência sobre o que seria necessário para provar tal coisa.

“10 ou 20 anos atrás, eu era um crente firme da naturalidade”, disse Nathan Seiberg, físico teórico do Instituto, onde Einstein ensinou de 1933 até sua morte, em 1955. “Agora eu não tenho tanta certeza. Minha esperança é que ainda exista algo que não pensamos, algum outro mecanismo que poderia explicar todas essas coisas. Mas eu não vejo o que poderia ser”, conforma-se.

E você, leitor, o que acha?

Hype Science

a. “Did the Higgs boson discovery reveal that the universe is unnatural?” (i09)

b. “Is Nature Unnatural?” (Simons Foundation, May 24, 2013)

Referências:

1. “New results indicate that new particle is a Higgs boson” (CERN – The European Organization for Nuclear Research, 14 Mar 2013)

2. “Higgs Live Blogging 6 – The CMS Seminar” (Science 2.0, July 4th 2012)

3. “CERN experiments observe particle consistent with long-sought Higgs boson” (CERN – The European Organization for Nuclear Research, 04 Jul 2012)



Coreia do Sul se rende às teorias criacionistas
06/07/2013, 9:16 AM
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Pesquisa revelou que quase um terço dos sul-coreanos não acreditam na teoria da evolução

Coreia do Sul se rende às teorias criacionistas

Mencione a teoria do criacionismo, e muitos cientistas logo pensarão nos Estados Unidos, onde crenças religiosas ganham fôlego contra Darwin e a evolução das espécies nas escolas públicas (2).  Mas os sucessos da religião nos EUA são modestos comparados com a Coreia do Sul, onde o sentimento anti-evolução parece estar ganhando sua batalha com a ciência.

No [ano passado – 05/2012], o Ministério da Educação, Ciência e Tecnologia sul-coreano acatou uma petição que pedia a remoção de livros didáticos do ensino médio com exemplos da evolução de cavalos e de aves. O movimento tem alarmado os biólogos, que dizem que não foram consultados.

A campanha da petição foi liderada pela Sociedade Textbook Rever (STR), que, de acordo com o site da instituição, “visa eliminar o erro da evolução dos livros didáticos para ensinamentos corretos aos alunos sobre o mundo”. O site diz ainda que a sociedade tem entre seus membros professores de biologia e professores de ciências do ensino médio.

O STR também está fazendo uma campanha para remover o conteúdo sobre “a evolução dos seres humanos” e a “adaptação dos bicos dos tentilhões com base no habitat e modo de sustento”, uma referência a uma das observações mais famosas de Charles Darwin, em “A Origem das Espécies”. Como argumento, a STR destaca as recentes descobertas de que o Archaeopteryx é um dos muitos dinossauros com penas, e não necessariamente um ancestral de todas as aves (3). Segundo o psicólogo evolucionista da Universidade Kyung Hee, em Yongin, explorar esses debates sobre a linhagem da espécie é uma “estratégia típica de criacionistas para atacar a evolução em si”.

Coreia do Sul se rende às teorias criacionistas

Anti-evolução

Em uma pesquisa realizada em 2009 para o documentário sul-coreano “A Era de Deus e Darwin”, quase um terço dos entrevistados disseram não acreditar na evolução. Destes, 41% disseram não haver provas cientificas para comprová-la, 39% afirmaram que a evolução contradiz suas crenças religiosas e 17% alegaram não entender a teoria [4]. Os números são semelhantes aos dos Estados Unidos, onde uma pesquisa realizada pela empresa Gallup mostrou que 40% dos norte-americanos não acreditam que os seres humanos evoluíram de uma forma menos avançada de vida.

As raízes para a aversão da Coreia do Sul ao evolucionismo não são claras, embora especialistas sugiram que elas venham, em parte, do forte movimento do cristianismo no país. Cerca de metade da população da Coreia do Sul possui alguma religião, a maioria dividida entre o cristianismo e o budismo.

Até agora, a comunidade cientifica tem feito pouco para combater o sentimento anti-evolução no país: “O maior problema é que existem apenas 5-10 cientistas evolucionistas no país que ensinam a teoria nas escolas de graduação e pós-graduação”, diz Dark Jang, um cientistas evolucionista da Universidade Nacional de Seul. Jang está organizando um grupo de peritos, incluindo cientistas evolucionistas e teólogos que acreditam na evolução para contrariar a campanha da STR.

Fonte:

1. “South Korea surrenders to creationist demands” (Nature, 05 June 2012, vol. 486, doi:10.1038/486014a)

Referências:

2. “Tennessee ‘monkey bill’ becomes law” (Nature, 11 April 2012, doi:10.1038/nature.2012.10423)

3. “An Archaeopteryx-like theropod from China and the origin of Avialae” (Nature, 28 July 2011, vol. 475, 465–470, doi:10.1038/nature10288)

4. “A Cross‐Cultural Comparison of Korean and American Science Teachers’ Views of Evolution and the Nature of Science” (International Journal of Science Education, 30 Mar 2010, DOI:10.1080/09500690903563819)

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COMENTÁRIO NOSSO:

Coreia do Sul se rende às teorias criacionistas11

Por Daniel F. Zordan

Devemos separar as coisas: Não se trata apenas de “crença religiosa”, mas também de “Ciência Criacionista e Design Inteligente”. É certo que o Criacionismo contém implicações religiosas, mas não depende de pré-suposição religiosa. De fato é nos EUA onde se concentra o maior numero de “cientistas” em favor da “Teoria do Design Inteligente” e da “Teoria da Criação Especial”.

A religião, pela fé, afirma que todas as espécies foram criadas por D’us. No entanto, diferente da religião, a Teoria Científica do “Design Inteligente” detecta e estuda os sinais de inteligência encontrados na natureza; e a Teoria Científica da “Criação Especial” detecta e estuda os mesmos sinais, associando-os a um Criador como sendo o responsável pelo Design e complexidade encontrado na natureza.

A posição Sul Coreana contra Darwin e a Evolução das Espécies não está embasada na religião, mas sim nas próprias descobertas científicas. Podemos expor quatro problemas com a teoria Naturalista-Evolucionista:

1 – Não há, sequer, uma única evidência “concreta” de que vida tenha surgido espontaneamente, por meio de processos naturais. (Isso contrária a “Lei da Biogênese” – vida gera vida)

O bioquímico Prof. Klaus Dose do “Institute for Biochemistry in Mainz”, Alemanha, disse:

“Uma questão ainda continua, a saber, a origem da informação biológica, isto é, a informação que existe nos nossos genes hoje… A formação espontânea de nucleotídeos simples ou mesmo polinucleotídeos que deveriam acontecer numa terra pré-biótica, precisa agora ser considerada como uma situação improvável, à luz dos muitos experimentos sem nenhum sucesso… Pela primeira vez um grande número de cientistas determinou, de maneira inequívoca, o seguinte: ‘Não possuem nenhum embasamento empírico as teses evolucionistas que afirmam que os sistemas vivos desenvolveram-se a partir de polinucleotídeos, que se originaram espontaneamente’.”

A questão de não aceitarem a ideia de que tudo foi planejado por um ser inteligente e superior, de fato não está baseada na falta de evidências científicas ou até mesmo da lógica científica como explicam Fred Hoyle e Chandra Wickramasinghe:

“De fato, tal teoria é tão obvia que ficamos imaginando porque não é largamente aceita como auto-evidente. As razões são mais psicológicas do que científicas.” (Evolution from Space (Londres: J.M. Denton & Sons, 1981), p. 130. – Fonte: Universo Criacionista)

Hoyle concluiu que a vida não poderia ter aparecido por intermédio de atividade aleatória terrestre, mesmo que todo o Universo fosse composto por massa pré-biótica. Chandra Wickramasinghe, colocou a questão de uma forma ainda mais dramática:

“As hipóteses de a vida ter aparecido por acaso e de forma aleatória são semelhantes às hipóteses de um ciclone soprar num qualquer cemitério de automóveis e construir-se assim um Boeing 747”.

2 – Não há, sequer, uma única evidência “concreta” de que todas as formas de vida existente no planeta compartilharam de um ancestral comum.

3 – Não há, sequer, uma única evidência “concreta” de Macroevolução (aprimoramento do material genético existente).

O embriologista sueco Dr. Soren Lovtrup, autor do livro “Darwinism: the refutation of a myth” [Darwinismo: refutação de um mito] disse: 

“As razões para se rejeitar a proposta de Darwin são várias, mas a primeira de todas é que muitas inovações não poderiam chegar a existir através do acumulo de pequenos passos, e, mesmo que pudessem, a seleção natural não faria com que isto acontecesse, porque estágios iniciais ou intermediários não são vantajosos”

4 – Não há, sequer, uma única evidência “concreta” de que Mutação Genética seja a principal causa de aparecimento de material genético diferenciado do original que resulta em Macroevolução.

A Bióloga Dra. Lynn Margulis do “Department of Biology at the University of Massachusetts” e membro da “National Academy of Science – EUA” disse:

“Não tenho encontrado nenhuma evidência de que essas transformações [mutação] possam ocorrer através do acúmulo de mudanças graduais”

O que ela diz é um tanto verdade. Embora as mutações alterem o código genético, não codificam novas estruturas e funções, muito menos criam nova informação genética. O que as mutações fazem é selecionar, eliminar, duplicar, trocar ou recombinar informação genética já existente.

Poderíamos levantar inúmeras refutações contra Darwin e a evolução das espécies, mas isso já é o suficiente.

Quero encerrar esse comentário citando as palavras do evolucionista Dr. Andrew Knoll, Paleontólogo e professor de Biologia da “Harvard University”, conhecido mundialmente, considerado um dos cientistas que mais estudou a origem da vida de forma exaustiva, autor do livro “Life on a Young Planet: The First Three Billion Years of Life” [Vida em um Planeta Jovem: Os Primeiros Três Bilhões de Anos da Vida]. Em entrevista ao programa NOVA em 2004, quando perguntado a respeito da origem, circunstancias e mecanismo que deram origem a vida, ele respondeu:

“The short answer is we don’t really know how life originated on this planet […] We don’t know how life started on this planet. We don’t know exactly when it started, we don’t know under what circumstances.” [“A resposta é que nós não sabemos realmente como a vida se originou nesse planeta […] Nós não sabemos como começou a vida nesse planeta. Não sabemos exatamente quando ela começou, não sabemos sob quais circunstancias”]

Quando perguntado se algum dia seria resolvido à questão da origem da vida, Dr. Knoll respondeu:

“I don’t know. I imagine my grandchildren will still be sitting around saying that it’s a great mystery” [“Eu não sei. Imagino que os meus netos estarão ainda sentados dizendo que isso é um grande mistério”]

Veja também:

Quem disse que Darwin é unanimidade?

Estudo: “A sobrevivência do mais apto” é contestada

Árvore da Vida de Charles Darwin é “errada e enganosa”, afirmam cientistas

Evolution Is A Farce, A Fraud, A Fake And A Faith!



A matemática realmente existe ou é fruto do cérebro humano?
05/07/2013, 6:27 AM
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A matemática realmente existe ou é fruto do cérebro humano2

A matemática pode não existir “de verdade”. Gostando ou odiando-a, não dá para negar sua importância: como um sistema, ela é elegante, e até mesmo bela. Nas palavras de Eugene Wigner, ela [matemática] é irracionalmente efetiva quando colocada a trabalhar nos outros campos científicos, mas o que ela estuda?

A biologia estuda os seres vivos, a física estuda o universo e suas forças, a química estuda os elementos químicos e reações, e a matemática estuda… a matemática.

Diferente de todas as outras ciências, a matemática não tem um componente empírico. Você não pode vê-la acontecer. Claro, se você pegar uma pessoa e fizer um clone dela, terá duas. Mas a ideia de contar, as parábolas, as subtrações, tudo isto é algo do universo, ou é o produto do cérebro humano, em todo seu gênio e esplendor? Em outras palavras, as pessoas descobriram a matemática ou inventaram a matemática?

A ideia de que as pessoas descobriram a matemática e que ela existe mesmo que não existissem pessoas para descobri-la é a mais popular entre os matemáticos.

O Realismo Matemático diz que a matemática é real, tem existência objetiva, como uma coisa. Nós, com nosso cérebro genial, descobrimos a matemática e criamos usos práticos para ela. Novos conceitos matemáticos seriam como espécies desconhecidas, só temos que encontrá-las e acrescentá-las à nossa caixa de ferramentas.

Os antirrealistas dizem que toda a matemática é criação do cérebro humano, uma invenção. Eles usam expressões como “matemática é uma metáfora” ou “matemática é uma linguagem”, ou ainda, “ficcionalismo”. O ficcionalismo afirma que todos os conceitos matemáticos, como raiz quadrada, o número 42, parábolas, etc., são uma ficção, ou seja, os elementos de uma história. A história da matemática seria cheia de ficções que teriam tanto valor quanto “James Bond matou o vilão”, que faz sentido dentro da história, e só dentro dela.

Eles acreditam que o que fazemos é usar a história da matemática para descrever coisas reais que não contém nem fazem matemática, como a andorinha, que não precisa de matemática para voar à 40 km/h. O filósofo Alain Badiou afirmou que a matemática é uma estética rigorosa.

É tudo uma conversa filosófica bacana, mas as coisas mudam quando consideramos as ramificações. Por exemplo, o que está em jogo quando consideramos a fonte da matemática? Só a matemática? Tudo?

Do ponto de vista dos realistas matemáticos, a matemática trata da verdade. Se você tiver cinco exemplares de uma coisa e juntar mais cinco, vai ter 10 destas coisas. Isto é considerado uma verdade, e pode ser provado. Para os antirrealistas, não há “cinco”, nem “dez”, nem mesmo “verdade matemática”.

Talvez seja só a matemática que esteja em jogo neste caso. Para os linguistas cognitivos George Lakoff e Rafael Nuñez, nós, humanos, tendemos a descrever, descobrir e testar as coisas, e a matemática é só um sistema para fazer isso. Ela é capaz de modelar regularidades dentro do universo caótico que vivemos. É a nossa maneira de encontrar um sentido nele. Se houvesse uma forma melhor de modelá-lo, nós a utilizaríamos.

Para completar a discussão, a matemática só pode ser provada pela matemática, o que cria uma tautologia: a única matemática conhecida pelos humanos é a que os humanos podem conhecer. Pode parecer óbvio, mas existem implicações importantes aí. Os realistas matemáticos acreditam que existe no universo mais conceitos matemáticos que ainda não conhecemos, que nunca conheceremos, e que não podemos conhecer. E na ausência de qualquer evidência observável, o realismo matemático acaba se apoiando em a fé em uma entidade matemática, ou conjunto de entidades matemáticas, de que elas existem, estão por aí, aguardando serem descobertas, e estariam lá mesmo que não existíssemos.

Mas a ideia de que existe uma realidade matemática aí fora, que não podemos ver nem testar, e que tem que ser aceita por fé não se parece com ciência, mas o contrário dela. E isso significa que as ideias dos realistas matemáticos é falsa? O que nossos informados leitores acham: a matemática é uma construção do cérebro humano, ou é uma realidade objetiva – imperceptível e inobservável, mas objetiva?

Hype Science

Referências:

1. “Does Math Objectively Exist, or Is It a Human Creation? A New PBS Video Explores a Timeless Question” (Open Culture, June 5th, 2013)

2. “Estimating the Airspeed Velocity of an Unladen Swallow” (Style.org, Nov. 17, 2003)

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COMENTÁRIO NOSSO:

A matemática realmente existe ou é fruto do cérebro humano

Por Daniel F. Zordan

Essa matéria fez-me lembrar as palavras do escritor irlandês C.C. Lewis:

“Se o sistema solar veio a existir devido a uma colisão acidental, então, o aparecimento da vida orgânica neste planeta também foi acidental, e toda a evolução do homem foi acidental também. Se este é o caso, todos os nossos pensamentos presentes são meros acidentes – acidentes criados pelo movimento dos átomos. E isto é válido tanto para os pensamentos dos materialistas e astrônomos como para qualquer outra pessoa. Mas, se os seus pensamentos – isto é, do materialismo e do astrônomo – são meramente produtos acidentais, porque deveríamos crer que eles são verdadeiros? Eu não vejo razão para crer que um acidente possa dar explicações correta do porquê de todos os demais acidentes” (C.S. Lewis, “God in the Dock” [Deus no Banco do Réus], Essays on Theology and Ethics – William B. Eerdmans Publishing Company, 1970, p. 52-53)

As propostas feitas por Lewis devem ser levadas até as ultimas consequências. Será que nossos pensamentos, raciocínio, inteligência, não passam de uma simples ilusão provocada pela reação dos átomos? E quanto a matemática?… Seria ela “uma construção do cérebro humano, ou é uma realidade objetiva – imperceptível e inobservável, mas objetiva?”

Esses temas são interessantes para excitarmos a nossa “autocrítica”. O raciocínio de Lewis nos levam as seguintes questões:

– A complexidade do cérebro humano seria resultado de um “acidente casual” ou “planejamento”?

– Como o Naturalismo/Darwinismo poderia explicar a origem, bem como o mecanismo que constitui o cérebro humano?

– Porque o Ser humano é singular dentre todos os demais seres vivos?

Em meio aos questionamentos levantados a respeito da complexidade do cérebro humano, também nos deparamos com as questões a respeito da “origem da vida” e a “origem da informação”. Para o prêmio Nobel de Química de 1967, Manfred Eigen, a origem da informação contida nos seres vivos era considerado o problema central de suas pesquisas:

“Nossa tarefa principal é encontrar um algoritmo, uma lei natural que nos leve à origem da informação” (“Steps Towards Life: A Perspective on Evolution “,  Manfred Eigen, Oxford University Press, 1992, p. 12)  

Como bem sabemos até hoje nenhuma lei e nenhum algoritmo (Matemática Sequência de raciocínios ou operações que oferece a solução de certos problemas) foi encontrado. A descoberta de um algoritmo apenas descreveria a informação contida no código genético (DNA), mas não seria capaz explicar e produzir tal informação. Lembrando que a própria existência de um algoritmo já seria uma grande evidência de um Design Inteligente.

Fred Dretske explica o conceito de informação dentro das propostas da Teoria do Design Inteligente da Seguinte forma:

“[…a] teoria da informação identifica a quantidade de informação associada com ou gerada pela ocorrência de um evento com a redução das incertezas, a eliminação de possibilidades, representada por aquele evento […]” (“Knowledge and the Flow of Information” – Fred Dretske, Cambridge, Mass., MIT Press, 1981, p.4.)  

A informação pode ser definida como a atualização de uma possibilidade com a exclusão das demais.

Como diz a própria matéria:  E na ausência de qualquer evidência observável, o realismo matemático acaba se apoiando em a em uma entidade matemática, ou conjunto de entidades matemáticas, de que elas existem, estão por aí, aguardando serem descobertas, e estariam lá mesmo que não existíssemos.

Para reflexão veja o que escreveu C.S. Lewis

C.S. Lewis