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Estudo supõe que metade da água da Terra seja mais antiga que o Sol
27/09/2014, 6:58 PM
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Água consumida hoje teria cerca de um milhão de anos a mais do que o Sol. Descobertas aumentam possibilidade de que exista vida fora da Via Láctea.

Estudo supõe que metade da água da Terra seja mais antiga que o Sol

Um estudo apresentado nesta quinta-feira (25) indica que metade da água do planeta talvez seja mais antiga do que o Sistema Solar, o que aumenta a possibilidade de existir vida fora de nossa galáxia, a Via Láctea.

Utilizando um sofisticado modelo que permite simular as fórmulas químicas entre as moléculas de água formadas no Sistema Solar e as que existiam antes, os pesquisadores da Universidade de Exeter, na Inglaterra, descobriram que entre 30% e 50% da água consumida hoje em dia é cerca de um milhão de anos mais antiga do que o Sol.

O trabalho, divulgado na revista americana “Science”, vai alimentar o debate sobre se as moléculas de gelo de água nos cometas e nos oceanos se formaram no disco de gás e poeira ao redor do jovem Sol há 4,6 bilhões de anos, ou se provêm de uma nuvem interestelar mais antiga.

“Determinando agora a parte antiga da procedência da água na Terra, podemos ver que o processo de formação de nosso Sistema Solar não foi único e que, portanto, os exoplanetas podem se formar nesses ambientes onde a água é abundante”, explicou Tim Harries, do Departamento de Física e Astronomia da universidade britânica e um dos autores da pesquisa.

Levando-se em consideração que a água é um elemento crucial para o desenvolvimento da vida na Terra, os resultados deste estudo podem sugerir que a vida existe em outro lugar mais além da nossa galáxia, ressaltaram os cientistas.

“Trata-se de um passo importante em nossa busca para saber se a vida existe em outros planetas”, afirmou Harries.

Os resultados “aumentam a possibilidade de que alguns planetas fora de nosso Sistema Solar (exoplanetas) contem com as condições propícias e recursos de água que permitam a existência de vida e sua evolução”, afirmou.

G1

Referências:

1. L. Ilsedore Cleeves, Edwin A. Bergin, Conel M. O’D. Alexander, Fujun Du, Dawn Graninger, Karin I. Öberg, and Tim J. Harries “The ancient heritage of water ice in the solar system” (Science, 26 September 2014: 1590-1593 DOI:10.1126/science.1258055)



Origem da água trazida por cometas é contestada
13/09/2014, 8:26 PM
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A observação do cometa, que tinha a ideia de entender melhor a origem e a evolução do nosso Sistema Solar, pode derrubar as teorias de que “aguá foi trazida por cometas” e que “vida teria-se originado no espaço e vindo para a Terra a bordo dos cometas”. 

Os primeiros resultados mostram que sempre vale a pena fazer grandes empreitadas científicas, como enviar uma sonda para pousar em um cometa. [Imagem: ESA/ATG Medialab]

Os primeiros resultados mostram que sempre vale a pena fazer grandes empreitadas científicas, como enviar uma sonda para pousar em um cometa. [Imagem: ESA/ATG Medialab]

Cometa é mais escuro que carvão – e sem água

Métrica rápida

Existem inúmeras técnicas concebidas para tentar medir o sucesso de uma empreitada científica.

Mas parece que nenhuma se compara a uma métrica bem do tipo senso comum: o quão boquiabertos os cientistas ficam quando veem os resultados de seus esforços.

E, por essa avaliação, os primeiros resultados obtidos pela sonda espacial Rosetta representam um sucesso inegável: os cientistas ainda não encontraram nada do que esperavam ao ver um cometa de perto.

“À primeira vista” porque a missão Rosetta está apenas no começo, olhando o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko ainda a meia distância, aproximando-se para enviar um módulo de pouso e depois persegui-lo por um ano durante sua aproximação do Sol.

Desde que as primeiras imagens do cometa 67P chegaram, os cientistas ficaram meio sem saber o que fazer com suas teorias, que defendem que os cometas são essencialmente “pedras de gelo sujo”.

A “sujeira” está lá, mas o gelo, que se acreditava responder pela larga maioria de sua massa, ainda não deu o ar da graça.

Cometa escuro como carvão

Agora, mais um instrumento a bordo da sonda Rosetta fez a sua primeira coleta de dados, e colocou em números o que as primeiras imagens já deixavam desconfiar.

O instrumento, chamado Alice, começou a mapear a superfície do 67P, registrando o primeiro espectro de luz emitida por ele na faixa do ultravioleta extremo.

A partir dos dados, a equipe do Alice constatou que o cometa é extraordinariamente escuro – mais escuro que carvão – quando visto nesses comprimentos de onda. O aparelho detectou hidrogênio e oxigênio na “atmosfera” do cometa, conhecida como coma, mas não moléculas de H2O.

O instrumento confirmou ainda que, ao contrário do que se esperava inicialmente, a superfície do cometa não possui sinais de gelo.

“Estamos um pouco surpresos com o quão pouco reflexiva é a superfície do cometa e com quão pouca evidência há de gelo de água exposto,” disse Alan Stern, principal cientista do Alice, do Instituto de Pesquisa do Sudoeste, nos Estados Unidos, que construiu o instrumento com financiamento da NASA.

Ainda é muito cedo para dizer que o cometa 67P não tem água. O que dá para garantir é que ele não a tem na quantidade esperada, o que levanta grandes expectativas sobre os jatos emitidos em sua aproximação do Sol – que serão filmados de perto pela Rosetta.

Essa imagem ilustrativa, para referência de tamanho, a dimensão do cometa  67P / Churyumov-Gerasimenko  com o centro de Los Angeles, na Califórnia.

Essa imagem ilustrativa, para referência de tamanho, demonstra a dimensão do cometa 67P / Churyumov-Gerasimenko com o centro de Los Angeles, na Califórnia.

Teorias por água abaixo

A observação do cometa foi idealizada para ajudar os cientistas a entender mais sobre a origem e a evolução do nosso Sistema Solar, partindo do pressuposto de que os cometas seriam verdadeiras cápsulas do tempo desse processo de formação.

Além disso, com a dificuldade de explicar a origem da vida, vinha ganhando força a ideia de que a vida teria-se originado no espaço e vindo para a Terra a bordo dos cometas, congelada nesses hipotéticos blocos de gelo cósmicos.

E, até antes do que isso, com a dificuldade de explicar a origem da água na Terra, alguns cientistas já argumentavam que os oceanos da Terra foram enchidos com água trazida por cometas que se chocaram com nosso planeta.

Mais uma vez, a realidade está se mostrando um pouco mais complicada do que as teorias gostariam – e isto sim, é o que sempre faz valer a pena grandes empreitadas científicas como as da sonda espacial Rosetta.

Inovação Tecnológica

Referências:

1. “Weird Comet Is Darker Than Charcoal” (Space.com,  September 08, 2014)

2. “Rosetta Comet is Darker than Charcoal” (NASA, Sept. 5, 2014)